Apresentação - Fernanda Elisabeth : Apresentações
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Apresentação - Fernanda Elisabeth

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Apresentação - Fernanda Elisabeth

Nova mensagempor fernanda_beth em 01 Abr 2011 02:11

Boa noite!


Meu nome é Fernanda, tenho 33 anos.


Bom, eu me batizei aos 15 anos de idade, mas a história da minha família com as Testemunha de Jeová começa na Europa quando minha vó, por parte de mãe, e seus irmãos chegaram refugiados após a Segunda Guerra Mundial, em 1954.

Lá na Iuguslávia minha bisavó, minha vó e seus irmãos já tinham tido contato com as Testemunhas de Jeová. Eles eram muito humildes e com pouca instrução, mas um dos meus tios, que é ancião ainda hoje no Paraná (isso é o que eu conheço da estória), já tinha curso de mecânica e naquela época pós-guerra a política fervilhava por lá. Para não ferir a sua neutralidade cristã ( ou fugir mesmo porque ainda não era Testemunha de Jeová mesmo, mas simpatizante), meu tio resolveu emigrar. Veio para o Brasil com a família, composta da minha bisávó, ele e mais três irmãs menores, via Itália. Minha avó era a irmã mais velha e teve que esperar 2 anos na Itália antes de vir porque ela já tinha 2 filhas e era empregada doméstica e havia abandonado o meu avô para vir com a família para o Brasil. Na época eles não tinham muito conhecimento das doutrinas das Testemunhas de Jeová, mas foram batizados na Europa.

Eu sempre tive orgulho da estória da minha família e mesmo da minha avó porque ela sofreu muito para chegar onde chegamos hoje. Mas, quando sua mãe e seus irmãos vieram para o Brasil se apegaram ainda mais às Testemunhas de Jeová. Esse meu tio mais velho é ancião até hoje no Paraná. Uma tia minha foi casada com um Superintendente de Circuito e tenho uma prima hoje que é esposa de Superintendente de Circuito e serve atualmente no Piauí, porém já passou por Santa Catarina, Paraná, Manaus e outros lugares. Tenho outros primos que são anciãos, servem em construções, uma outra tia foi servir em Minas Gerais, etc.

Mas, muita água também já rolou na minha família. Existem pessoas desassociadas, pessoas dissociadas, taxadas de apóstatas e com uma história dessas e o peso de todas essas pessoas nas nossas vidas, você falar que pediu dissociação da organização é um ato de extrema coragem.

Vou adentrar mais ao meu ramo da família. Minha avó, como a irmã mais velha, passou os horrores da guerra e quando conseguiu vir para o Brasil já tinha 3 filhos porque teve que se "juntar" com uma pessoa na Itália e lá teve um filho porque o Brasil não queria aceitá-la sozinha. Lembrem-se que na época ela não tinha pleno discernimento do que era ser Testemunha de Jeová e para ficar com sua família fez tudo. Por isso em 1978 ela se batizou novamente, os irmãos na época entenderam que ela deveria assim proceder porque antes não sabia o que era ser Testemunha de Jeová.

Entrementes, ela trabalhou muito, muito, muito! O "marido" que ela arranjou não foi um bom marido, bebia, e morreu de tuberculose a uma certa altura, isso antes de eu nascer. Minha mãe, meu tio e minha tia foram separados. Teve época que ficaram de empregados na casa de outras pessoas, em outros tempos ficaram com minha bisavó, meu tio mais velho e etc, que eram Testemunhas de Jeová mais ativas. E, em todas essas passagens tornaram-se Testemunhas de Jeová. Minha mãe se batizou em 1967. (Eu choro todas as vezes que vejo aquelas fotos antigas de Assermbléias no Parque do Ibirapuera, etc)

Porém, minha mãe apaixounou-se por meu pai, que não era Testemunha de Jeová. Na época, o namoro com uma pessoa que não era Testemunha de Jeová não era tão proibido como hoje e eles até se casaram no Salão do Reino. Mas, com o tempo minha mãe se afastou da congregação e quando eu nasci ela já não ia mais às reuniões.

Cresci em um lar assim, dividido em sentido religioso, embora cheio de princípios. A família do meu pai era católica fervorosa, mas moravam muito longe de casa e por isso não tinham uma influência profunda na gente (eu tenho um irmão também). Meu pai adotou a "neutralidade religiosa", digamos assim. Minha mãe era afastada da congregação, mas sempre amou a Jeová e, por isso, providenciou que quando eu tinha uns 7 anos já tivesse meu estudo no livro Histórias Bíblicas.

De outro lado, na época o irmão da minha mãe era ancião e ainda por cima uma pessoa que venceu na vida, mas um pouco afastado de nós porque era uma pessoa muito ocupada tanto em sentido teocrático quanto com o serviço secular, então não sobrava tempo para se dedicar à parte da família que estava afastada da congregação. Minha outra tia quando eu era pequena estava servindo em território pouco trabalhado em Minas Gerais com o marido, tinha uma filha também. Já a irmã mais nova da minha avó tinha voltado do Circuito por ter tido quatro filhos e morava na mesma cidade que a gente e sempre tentava nos ajudar em sentido espiritual, emboram morasse em outro bairro. Eu tinha uma prima da mesma idade que eu (essa que hoje é esposa de superintendente de circuito) e nós fazíamos parzinho em todas as coisas teocráticas em que eles me levavam. Muitas vezes vestíamos roupas iguais e eu amava quando ia nas assembléias e trabalhávamos fazendo hamburgueres ou pizza. Para mim, eles eram os exemplos a serem seguidos.

Só hoje eu vejo que todos nós temos problemas, independentemente da religião à que pertencemos.

Minha avó morava na nossa casa e nem minha mãe e meu pai iam ao Salão do Reino, mas a levavam sempre. Quando eu tinha uns doze anos nós sofremos um acidente de carro voltando de Minas Gerais, da casa da minha tia e minha avó se feriu gravemente, ficou uns 20 dias hospitalizada. Muitos irmãos foram vê-la e aí a nossa relação com eles foi ficando mais estreita. Porque o meu estudo no Histórias Bíblicas oficialmente tinha sido descontinuado quando meu pai saiu do emprego fixo que tinha e passou a trabalhar em casa (porque meu pai e minha mãe tinham combinado a neutralidade religiosa e minha mãe fez eu estudar escondido).

Bom, nessa altura, eu, como boa neta, passei a acompanhar a vovó para o Salão do Reino porque ela é super teimosa e queria ir quando ainda não podia eis que tinha quebrado o braço e costelas e perfurado o pulmão. Comecei a conviver com os irmãos e uma irmã me ofereceu um estudo bíblico. Meu pai para não ser tachado de opositor concordou. Estudei dos doze aos quinze anos e então fui batizada. Em 01/11/1992.

A irmã com quem eu estudei também era muito metódica e sistemática, era muito rigorosa (também já sofreu e ainda sofre muito, todos nós sofremos).

Eu sempre fui muito estudiosa e enquanto estudava a bíblia também fazia cursinho em uma Escola Técnica Federal e fiz um curso técnico de eletrônica no Liceu de Artes e Ofícios (escola bastante conceituada). Para os padrões da organização com esse curso estava tudo muito bom, porque mulher não precisaria era de nada, bastava colocar o reino em primeiro lugar e ser uma boa esposa.

Minha prima, em quem eu me mirava (não adianta falar, a gente sempre mira em alguém, são os exemplos, embora a gente saiba que não deve se espelhar em personalidades, mas apenas em Jeová) não era um exemplo de estudiosa, e também começou a namorar logo, com doze anos já tinha namorado sério. Então, eu comecei a me sentir para trás e logo depois de batizada eu comecei a namorar um irmão, para tristeza da minha instrutora, que não queria de jeito nenhum. Mas, a teimosia eu puxei da minha avó. E hoje eu me arrependo (mas sei que como li em um tópico aí nós não podemos fazer um novo começo, mas podemos mudar o final, então, é disso que irei em busca).

Bom, eu estudava no Liceu, já queria trabalhar, e sempre tive personalidade. Por outro lado, namorava um irmão que tinha o objetivo de casar logo e já tinha 26 anos. E isso me trouxe uma série de conflitos. Namorei por três anos e com essa idade eu vejo hoje que a gente não tem maturidade para isso nessa idade.
Esse irmão, já bem mais velho, tinha lá seus impulsos mais aflorados e isso me trazia muito peso na consciência, mas me deixei levar até certo ponto a algumas carícias ( o que hoje eu vejo que faz parte da natureza do ser humano também, mas como Testemunha de Jeová as conseqüências psicológicas são terríveis). Esse irmão foi se aconselhar com um ancião e esse ancião, que é uma pessoa que eu admiro até hoje e tem experiência falou que eram coisas naturais, que tínhamos o objetivo de casar, etc. Porém, depois de três anos eu queria terminar o namoro porque vi que nossos objetivos não eram os mesmos, mas como se já tinham acontecido as tais carícias? E se ele falasse? Só aquele ancião sabia e tinha relevado porque íamos nos casar. Passei essa tortura psicológica durante algum tempo até que desabafando com alguém do serviço eu me apaixonei por uma pessoa que não era Testemunha de Jeová.

Na verdade eu era bonita, tinha um emprego razoável como técnica em eletrônica, dava cursos para até 40 pessoas. E, nisso, não vou tirar o mérito da organização porque eu aprendi muito a me desinibir no campo, fazendo partes, dando comentários e eu sempre fui muito boa nisso. Para alguém de uma família que não tinha muitos recursos estava ótimo, mais do que eu poderia ter com esse irmão com quem namorava que não parava em emprego fixo. Assim, me deixei levar pela paixão para ter forças de terminar o meu namoro quase noivado.

Fui taxada de a rebelde da família, a ovelha negra. Ah! Esqueci de falar que esse irmão com quem eu namorava tinha uma irmã pioneira especial e que depois voltou para nossa congregação com o marido dela que era o ancião presidente e que tinha mais três irmãos anciãos só na minha congregação.

Quando terminei meu namoro ele foi falar com os anciãos sobre o que tinha acontecido entre a gente e nós dois ficamos de restrição por conduta desenfreada. Só que ele logo saiu porque tinha todos os referenciais, mas eu que na época era sozinha, só com minha avó e ainda o havia trocado por um mundano, imaginem!

Só que eu tinha a teimosia da minha avó e não tinha feito nada para ninguém, então, meti na minha cabeça que eu ia às reuniões e na congregação por Jeová e por mais ninguém e continuei. Namorando um mundano. Só que esse meu namorado era evangélico e por isso nos demos tão bem, a príncípio gostávamos das mesmas coisas. Eu tinha a intenção de que ele viesse a ser Testemunha de Jeová. Mas com o tempo fomos percebendo a diferença das doutrinas e ele até veio nas reuniões comigo ( e imaginem como foi recebido...), mas eu não queria ir na igreja dele de jeito nenhum, era Babilônia a Grande. A família dele era ótima, me recebiam muito bem, super carinhosos, etc. Porém, a intenção dele também era que eu servisse com ele na igreja dele e depois de um ano ele percebeu que não dava mesmo e desmanchou comigo, porque na época embora eu sofresse no salão do reino eu achava que as Testemunhas de Jeová eram a única religião verdadeira, eu achava que o problema era eu, que era muito rebelde e petulante. Eu sofri muito porque era apaixonada por ele. Ele resolveu desmanchar de mim depois que leu um livro "apóstata" em que ficou convencido de que não poderia me fazer deixar de ser Testemunha de Jeová.

Nesse ponto eu me sentia a mais terrível de todas. Eu tinha me deixado levar por um namoro, enfrentado todo mundo da congregação! (Nessa época até meu irmão, com quem eu tinha estudado e tinha se batizado enquanto eu namorei com meu primeiro namorado sofreu muito por causa disso). Mas, eu continuava, para mim era por Jeová. Só que eu achava que nunca nenhum irmão iria querer casar comigo, que eu estava tachada para sempre (Quando a gente é muito nova a gente é boba, boba...).

Daí, as coisas foram acontecendo e eu comecei a namorar com um outro rapaz do meu serviço. Só que nesse ponto eu estava mais agarrada do que nunca às normas de Jeová e falei para ele que só podíamos namorar se ele se transformasse em Testemunha de Jeová. Eu sabia que não seria fácil, mas achava que não tinha outro jeito. Ele era de uma família dividida em sentido religioso, pais católicos e tios evangélicos, uma miscelânia, e gostou do estudo bíblico.

Estudou a bíblia com um irmão que me ajudava em sentido espiritual e parecia que todas as coisas tinham entrado nos eixos. Tínhamos sonhos juntos. Nós dois éramos de famílias relativamente pobres, mas achávamos que trabalhando conseguiríamos o suficiente para nos sustentar e servir a Jeová da melhor forma possível. Ele passou a frequentar a congregação e todos gostaram dele porque ele era boa praça e se encantou com o nosso paraíso espiritual. Incauto também.

Namoramos quatro anos (tempo demais para as testemunhas de Jeová), mas ele teve que estudar, se batizar e se afirmar relativamente no salão do reino. Enquanto isso nós dois trabalhávamos e demos entrada em um apartamento na planta. Nos virávamos para pagar e fomos construindo a nossa vida. Casamos meio que pressionados porque já estava na hora, né? Mas, eu não vou negar que tivemos nossas questões quanto a se inflamar de paixão ( o problema é que a hipocrisia é uma máscara e é isso que hoje em dia eu não concordo mais, acho que essa máscara só faz tornar o problema pior). Por isso que hoje eu acho que se eu tivesse menos consumida pelos problemas com a consciência por ter um namoro mais quente o que nos torna presos à pessoa e nesse campo tivesse mais liberdade, talvez poderia ter tomado outra decisão.

Por termos casado meio pressionados nos enfiamos em dívidas e o problema com o meu marido sempre foi esse. Ele sempre teve sonhos maiores que o meu.
Mas, eu sempre fui estudiosa e, inclusive passei na USP para fazer letras (isso enquanto estava namorando meu segundo namorado que me incentivava a estudar), e então passei em um concurso público para trabalhar no Forum onde trabalho até hoje. Sou escrevente técnico judiciário e, em meu serviço, mesmo sendo Testemunha de Jeová tenho campo para muitas reflexões. Eu trabalho em uma Vara Criminal auxiliando a Juíza, então vejo cada coisa...

Acabei não terminando letras na USP também pela idéia de me focar mais no reino em primeiro lugar. Para que uma mulher que ia se casar ficar querendo se enfiar em um curso onde teria que estudar à noite por anos? (Porque eu não ia deixar de trabalhar). Cedi à pressão e me foquei mais no trabalho, e nas coisas de Jeová e em ser uma boa esposa, lógico que auxiliando meu marido no que fosse necessário.

Mudamos para uma congregação mais próxima ao apartamento que tínhamos comprado e ali, já sem todas as histórias que me rondavam sobre meu namoro com uma pessoa que não era Testemunha de Jeová, com o meu marido um irmão amoroso e boa praça, só me restava aproveitar, conhecer os irmãos, servir a Jeová o melhor possível. Viajávamos para onde minha prima estava servindo como pioneira especial e depois como viajante, quando havia programação para pregar em territórios pouco trabalhados nós íamos e assim fomos fazendo nossa vida. Meu marido sempre ajudando dentro da congregação chegou a ser Servo Ministerial. Minha mãe também se reativou dentro da congregação estudando comigo. Eu estava feliz. Eu sempre trabalhei muito porque tenho muito serviço no Fórum fazendo audiências, mas fui pioneira durante um ano e fiz o curso de pioneiros. Sempre fui muito respeitada no Fórum por ser uma pessoa equilibrada e lá tenho aprendido muito.

Contudo, o meu marido começou a trabalhar com os irmãos. E negócios com irmãos? Eu já vi tudo. A organização fala que você tem que escrever tudo, mas não explica que existem regras para essa escrita. Essas regras são ditadas pelo Código Civil, Comercial, etc, coisas que não são muito estudadas pelas Testemunhas de Jeová, pelo menos no círculo em que eu vivia, onde a maioria não tem faculdade. "E, em terra de cego quem tem um olho é rei, não é?" Pois alguns irmãos mais instruídos e com poder aquisitivo maior fazem sim a festa nos incautos e meu marido entrou nessa de abrir empresa sem ter a devida orientação e muito incentivado pelos outros irmãos. Foi se metendo em um problema atrás do outro com diversos irmãos e eu, que trabalho sim em um lugar onde vejo muita coisa e inclusive já vi irmão ancião sendo processado por falsificar assinatura de uma pessoa em um negócio em que tomou a casa de outro por causa de empréstimo, já vi irmã ser processada por jogar água fervente em cima de outra pessoa em briga, e outras coisas mais que por aí vai, entrei em guerra dentro de casa.

E outro conceito que quero expor aqui é o conceito quanto às mulheres dentro da congregação. No curso de pioneiro eu ainda me lembro do Superintendente de Distrito falando que a pior coisa que aconteceu foi a mulher querer ser independente. Aí estava a raiz de muitos problemas entre os casais. Esse tipo de conceito só reforçava mais o meu papel de sujeita. Embora eu fosse uma mulher independente, afinal eu era quem tinha o salário fixo dentro de casa e o os negócios do meu marido às vezes traziam dinheiro mas muitas vezes não. Mas, esses conceitos reforçavam o meu "espírito quieto e brando como é próprio de um povo santo". E meu marido gostava desse conceito de sujeição, ele era o chefe da casa, ele mandava (só que não aplicava tão bem o fato de amar a esposa como se fosse a própria carne), reforçado pelo conceito da maioria dos irmãos que escondem as coisas das esposas, problemas e também negócios e muitas outras coisas com a desculpa de que estão nos poupando, protegendo como um vaso mais fraco.

Só que quando o problema é descoberto a gente sofre as conseqüências junto. Assim, quando não teve mais jeito o problema de dívida estourou e meu marido que trocava cheque com outros irmãos, inclusive um ancião, entrou bem. Meu marido perdeu o cargo de servo ministerial, mas o ancião perdeu? Não. Outros irmãos também tinham cheques com ele. Eu fiquei perdida no meio de tudo porque sempre me esconderam as coisas e falavam tudo pela metade. Eu não sabia em quem acreditava. No meu marido? Nos irmãos, inclusive anciãos? Na verdade todos estavam errados, quiseram aproveitar-se um do outro, porque a verdade é que "Homem domina homem para seu próprio prejuízo".

Perdida, eu resolvi esperar em Jeová. Já tinha feito isso várias vezes na minha vida. Não fiquei do lado de ninguém, mas tentei pacificar a coisa da melhor maneira possível. Na época já não conseguia mais ser pioneira, lidar com todos os problemas que isso gera, picuinhas no campo, etc, mais problemas com o marido e anciãos, mais o trabalho secular estafante? Era demais.

Nessas horas as coisas dividem grupos e não tem jeito. Meu marido se sentiu injustiçado e passou a ir à caça dos outros. Escreveu para Betel, falou com outros anciãos, superintendente de circuito. Um belo dia no salão do reino o irmão alvo do meu marido pediu para conversarmos, meu marido não queria ir porque já tinha arranjado provas e queria uma comissão para ele também, mas eu, a pacificadora, fiz nós todos irmos conversar. Esse irmão pediu perdão, falou que ambos iam se perdoar e estava tudo bem. E eu, a burra, que sabia tudo pela metade, porque meu marido me poupava dos detalhes mais sórdidos, queria a paz dentro da congregação, fiz meu marido falar que perdoava, que estava tudo esquecido. Mas, meu marido não me perdoou por isso. Então, ele foi se afastando. E eu me deprimi, só chorava, achando que minha vida que eu tinha achado que ia ficar bem não tinha mais solução.

Ah! Eu não posso esquecer de falar que antes disso a gente já tinha se afastado da família do meu marido pelas circunstâncias de fazermos tudo pelo reino, por termos limitado nosso círculo de amizade aos irmãos e à parte da minha família que era Testemunha de Jeová. Nesses dias também não dá para dar atenção a tanta gente porque trabalhamos demais. Nesse ponto quando houve todo esse problema meu marido sofreu sozinho porque não queria falar para a família dele o que tinha acontecido para não difamar a organização de Jeová, afinal ele tinha feito mudanças na vida porque ali estava a verdade, como ia manchar o nome da organização?

Uma família da congregação ficou do lado do meu marido na questão e então ele passou a fazer de tudo por eles. E eu me afastei até da minha família porque meu irmão também tinha sido envolvido no problema financeiro. Então, nosso círculo de amizade passou a ser restrito a esses. Só que mais tarde revelou-se que eles também só ficaram do lado dele até o momento em que puderam se beneficiar. E muitos problemas foram acontecendo.

Por isso hoje eu cheguei à seguinte conclusão: "Faze raro o teu pé na casa do teu próximo para que ele não se fatigue de ti".

Depois disso, vi a besteira que estava fazendo por ter me afastado da minha família e voltei minha atenção para a casa da minha mãe e do meu pai.

Nós perdemos nosso apartamento, que havíamos conseguido com tanto sacrifício, o nosso sonho do começo do namoro.

Meu marido teimoso também estava mais preocupado em mostrar para os outros que estava bem do que em melhorar as coisas entre a gente. A gente já não preparava as reuniões juntos, já não se comunicava mais. Ele só pensava em trabalhar e se divertir e eu só em ficar enfiada na casa da minha mãe e chorar quando não estava trabalhando. Já saía bem pouco ao campo e quando saía só chorava para os irmãos que me aconselhavam a esperar em Jeová. Eu mudei de congregação porque fui para um apartamento alugado e nessa nova congregação fui poucas vezes acompanhada por meu marido, que já estava afastado. Eu só trabalhava e chorava.

Durante esse tempo de crise minha mãe ficou internada duas vezes por problemas renais, fez uma cirurgia para colocar prótese e teve uma crise de visícula e eu tive que ficar com ela todo esse tempo fazendo malabarismos. Eu sei que não foi sozinha porque meu irmão me ajudou também, mas a filha afinal era eu. Todas essas questões tiveram que ser tratadas sem sangue e com conversas com os médicos que graças a Deus fizeram o melhor e deu tudo certo. Mas, eu que estava acostumada a sempre ter meu marido do meu lado fazendo tudo por mim já não o tinha mais. Ele me apoiou mas bem de longe. E só hoje eu sei realmente o porquê.

Um dia esse mesmo irmão com quem houve todo o problema me ligou dizendo que havia visto meu marido com uma outra mulher em atitude suspeita. Eu até estava no hospital com minha mãe internada. Eu nunca havia tido este tipo de problema com meu marido. Podia suportar tudo, menos isso. Inquiri-o e ele negou. Eu aceitei, afinal, de quem tinha vindo a informação? Mas, eu me esqueci que esse irmão era grato a mim.

Mais tarde a irmã que pertencia à família que apoiou o meu marido me disse que soube que realmente o Renato havia me traído. Essa informação era fidedigna e eu inquiri-o novamente e ele confessou. Disse que aconteceu por toda a mágoa que tinha tido comigo, porque achou que eu tinha ficado do lado de outras pessoas e que não tinha acreditado nele, mas que depois viu a besteira que tinha feito e que me amava.

Eu levei o fato à congregação. Foi formada uma comissão e os irmãos da minha nova congregação são uns amores. Eu os amo muito porque ficaram do meu lado em tudo que eu estava passando. Mas, eu não criei muitos vínculos com ninguém porque já tinha chegado à conclusão que são todos imperfeitos, pessoas humanas, que estão interessadas no bem do próximo, mas tem seus defeitos. Como quando a gente fala no campo que os políticos podem até ter boas intenções mas o sistema não permite que eles tenham a solução. Na verdade com os anciãos se dá da mesma forma. A única coisa que muda é que a gente acha que Jeová vai lhes dar o espírito santo e mudar tudo, mas hoje já não sei (Eu só sei que nada sei). Os irmãos conversaram com o Renato e ele confessou tudo e contou todas as decepções que havia tido e que ia melhorar. Fui vivendo na ilusão de que tudo ia voltar a ser como antes.

Mas, isso não aconteceu. Ele disse que ia voltar a assistir às reuniões e eu fiquei esperando. Ele começou a trabalhar muito, disse que ia ter que pagar as dívidas que tinha, que ia ter que trabalhar para conquistar nosso apartamento de volta, etc. O ano foi passando e eu segurei as pontas em casa, paguei o aluguel, as despesas e ele quase não vinha, já que trabalhava por conta em uma obra que não tinha dado certo e ele tinha que reabilitar durante a semana e de fim de semana arranjou um trabalho em uma outra cidade. Mas, dinheiro que é bom nada.

Eu fazia de tudo para ele, para me reabilitar como esposa. Afinal, a esposa tem que ser exemplar para reconquistar o marido, não? Trabalhava e ficava na casa da minha mãe, enfiada, chorando.

Mas, depois resolvi me valorizar. Afinal, cadê aquela Fernanda do passado, petulante, desafiadora, estudiosa? No meu trabalho eu me destaco, sou auxiliar pessoal da juíza e fui aprendendo com as coisas que fui vendo. Afinal, quem faz quatro instruções por dia com casos de roubo, tráfico, estupro, brigas de casal, lei Maria da Penha, corrupção na Prefeitura, problemas com máquina caça-níquel, digita todas as sentenças e todos os depoimentos e não aprende nada?

Ah! Eu aprendi muito. Aprendi que problemas todo mundo tem, que temos que lidar com eles nos baseando na realidade. Que todos nós temos máscaras que usamos para diversas ocasiões, como a máscara religiosa, a máscara da profissão, a máscara do time de futebol, a máscara de boa esposa, etc. São rótulos, mas hoje eu quero ter o rótulo pelo que eu realmente acredito, pelo que vai ser bom para mim e não para o que vai ser bom para os outros ou porque os outros querem que eu seja isso ou aquilo. Acredito que Deus vai gostar de mim pelo que ele vê no meu coração e eu sei que ele é bom.

Resolvi voltar à faculdade e hoje estou no 5º Semestre de Direito. Parei de pegar empréstimos para dar o dinheiro para os negócios dele e não ter retorno nenhum, só pelo fato de ter que ser boa esposa, sujeita. E sei hoje que eu vou ter o que eu lutar para ter, sem ter que pedir nada de ninguém, será pela minha capacidade. Lógico que eu não perdi a fé em Deus, mas estou com a mente muito mais aberta, disposta a ver que os rituais são formas de nos aproximarmos de Deus e que temos que tê-los, porém o amor é muito maior que isso.

Ainda assim passei o ano me torturando com a idéia de que tinha que me separar. Como se já o tinha perdoado? E pelas doutrinas os irmãos se sentem no direito de saber até se voltamos a ter relações sexuais ou não. Outra coisa que eu aprendi é que não tenho que ter vergonha do que faço mas o direito à intimidade é preservado pela Constituição por razões muito sólidas. Isso é a evolução histórica dos direitos que foram conquistados com muito suor. E não vou abrir mão disso mais.

Uma semana antes do Natal, no sábado, ele disse que ia para a outra cidade e eu fui para a casa da minha mãe e de uma prima minha. Ele me ligou dizendo que talvez voltaria à noite ou no domingo, perguntando onde eu estava. Ele sempre sabia onde eu estava, só eu que não sabia onde ele estava. Mas, uma amiga minha do Fórum, esta sim amiga sem rótulos, que já sabia da minha situação e não se conformava em como eu podia falar para as outras mulheres representarem na Lei Maria da Penha, como eu podia falar para não se humilharem, não aceitarem apanhar (isso eu não posso dizer que ele fez porque a tática dele era ficar quieto e eu é que não gostava), para se separarem e colocarmos medidas protetivas e eu aceitava tudo que ele fazia comigo, e não fazia nada porque eu era Testemunha de Jeová, esta minha amiga me ligou e me avisou que viu o meu marido com uma outra mulher e uma criança em um parque. Eu estava do outro lado da cidade, mas em quinze minutos cheguei ao local, com meu pai e minha mãe e peguei meu marido comendo cachorro quente, com uma filha de nove meses (semana passada ela completou um ano) no colo, com uma bexiga de coração na mão e a outra.

Da primeira vez que eu fiquei sabendo e eu o perdoei ele já sabia que ela estava grávida e não me falou. Medo. Eu perguntei diversas vezes e ele negava. É lógico que já não conseguia voltar para casa porque não conseguia olhar para mim mentindo. E eu, a tola, achando que as coisas seriam como antes. Sabe que se ele tivesse falado que ela estava grávida da primeira vez a idiota aqui teria aceitado? Mas, por isso que eu confio em Deus, sei que fui preparada para suportar o que me aconteceu. Só que não acho que ele esteja me mostrando que isso foi através de sua organização. Sabe por que?

Depois de tudo isso eu conversei com meu ex-marido diversas vezes e ele me falou de todo sofrimento que suportou por ter ficado com isso no seu coração. Vendo tudo que eu estava fazendo ele disse que me amava, mas também amava a filha dele. Ele disse que até chegou a pensar em aborto, mas tudo que aprendeu da bíblia o fez pensar que tem que aguentar as consequências. É, vai ter que aguentar mesmo. E eu idem. Eu também fiz com que ele se separasse da família dele por conta da organização e nunca fui unida o bastante com eles (apesar de que todos ficaram do meu lado porque sabiam que eu era uma esposa exemplar), mas se tivesse sido será que ele teria buscado refugio em outra mulher? Quando algo assim acontece você tem que refletir nos seus erros e acertos. Acho que a fase da minha culpa já passou mas tenho que parar para pensar no que errei e acho que eu sempre fui muito bitolada sim, que eu me isolei e isso não foi bom. A minha máscara de Testemunha de Jeová fazia com que eu me sentisse melhor que as outras pessoas, embora sempre tentei me colocar no lugar de cada um e não julgar ninguém. Mas, você não pode achar que algo é 100% certo porque você mesmo nunca vai chegar nesse padrão e aí você vai se cobrar demais. Eu me cobrava e achava sempre que eu não era boa o suficiente. Mas, então, Jeová e Jesus estão perdidos, porque como medir o quanto cada pessoa na terra faz, com tantas coisas que a influenciam?

Bom, foi montada uma Comissão Judicativa e meu ex-marido foi desassociado. E eu tinha decidido pedir o divórcio e vocês não sabem como é constrangedor ficar respondendo se teve ou não teve mais relações com seu marido. Com tantos sentimentos envolvidos, sinceramente o meu conceito sobre relações sexuais mudou. Não foi o sexo que eu não perdoei, a não ser pelo perigo de alguma doença, eu não senti tanto pelo sexo, isso eu perdoei por causa do amor que eu sentia por ele, mas eu não perdoei a traição, o fato de ele ter escondido a gravidez, de ter me feito de tola, de não ter confiado em mim sendo que eu confiei nele.

Só que como eu podia suportar tudo isso? Voltar às reuniões e campo novamente? Poucos irmãos sabem de toda essa história (agora já não sei mais), mas eu tentei voltar às minhas atividades e para minha surpresa fiquei sabendo que alguns já sabiam que o meu ex-marido tinha uma filha, só que achavam que eu não ia suportar ficar sabendo. Teve que alguém do serviço me contar, porque senão eu ia ficar vivendo até sei lá quando se meu círculo de amigos eram só os irmãos que achavam que eu não ia suportar saber disso.

Além disso, agora eu não confio mais em ninguém. Minha família ou queria que eu ficasse solteira, seguindo a Jeová e esperando ou quer que eu me case com o primeiro que aparecer. Me desculpem, meu critério mudou e muito, mas eu não sou mais a menininha que tem que ficar dando explicações se dá uns beijos ou algo a mais. Sinceramente eu não quero passar de novo o constrangimento de ter que ficar dando explicações se tive ou não tive relações para que alguém decida se eu posso ou não me casar de novo. Acho que Jeová não nos mede dessa maneira.

Depois de ter estudado um pouco de filosofia, sociologia, de trabalhar no Forum vendo o dia a dia das pessoas e saber um pouco sobre várias religiões não só as Testemunhas de Jeová ( porque eu já fiz audiências com padre que foi extorquido porque fez coisa indevida em sites e pastor que estuprou uma menina de 12 anos e sei como eles cuidaram disso na Assembléia de Deus - tudo política, igualzinho dentro das Testemunhas de Jeová, mas eu estava cega e achava que era diferente), eu estou bastante aberta e ávida a pesquisar mais para achar a minha verdade.

Não concordo com conceitos como a neutralidade política totalmente, porque, por exemplo eu ficava com a consciência pesada quando via meus colegas fazerem greve e eu não saía e por isso tinha que arcar com todo o trabalho. Mas eu queria que eles saíssem porque queria me beneficiar do aumento. Tudo política. O homem é um ser político, infelizmente. E eu achava que não.

Por isso tudo eu resolvi fazer minha carta de dissociação. Porque eu, como Testemunha de Jeová, segui os preceitos dessa organização da melhor maneira que eu pude enquanto me identificava como Testemunha de Jeová, mas acho que não me encaixo mais nesses preceitos.

Sei de todas as consequências que isso implica e já ouvi os textos como os do cachorro que volta ao próprio vômito e a porca lavada ao lamaçal, já ouvi e refleti sobre o texto que fala sobre fazer cócegas nos ouvidos, porque o que meu irmão diz é que agora eu estou querendo fazer cócegas nos meus ouvidos e tinha que estar disposta a continuar sofrendo por Jeová, teria que voltar a morar com minha mãe e meu pai e logo teria uma consecução. Mas, eu não quero, eu sou uma mulher independente e hoje pago o meu aluguel, minha faculdade e logo me livrarei das minhas dívidas. Não posso contar com ajuda de ex-marido e nem quero de ninguém.

De outro modo o que conseguiria?

Eu já vi esse filme. Minha prima de Minas Gerais se separou e depois casou em pouco tempo com um irmão que tinha quatro filhos. O que aconteceu? Está desassociada e hoje é taxada como apóstata. Minha tia também se separou, depois voltou com meu tio e hoje é taxada como apóstata. Pessoas que sofreram e depois são tratadas dessa maneira. Se é para sofrer, então, eu sofro tudo de uma vez. Já saio logo e mudo meus conceitos porque sinceramente outro conceito que eu mudei é que Jeová perdoa. Eu quero que meu ex-marido seja feliz, se ele escolheu outra família que cresça. Só queria que tivesse me avisado para que eu também pudesse ter feito minhas escolhas.

E eu quero deixar um recado para as mulheres desse fórum. Valorizem-se e não achem que emprego de meio período e estudo até o segundo grau é o suficiente. Não é!

Bom, acho que já falei demais? Se permitirem esse depoimento acho que vou ficar quieta até o fim dos meus dias. Mas, são 18 anos como Testemunha de Jeová sendo 4 deles namorando com meu ex-marido e 9 anos de casada. É muita história. História que poderia ser escrita por milhares de ângulos diferentes, pontos de vista, etc. Como Jeová a verá? Só Deus sabe.

Não, não... Tenho muito a falar sobre as dúvidas que tenho e o meu objetivo principal é fazer amigos e ter com quem compartilhar meus pensamentos.

Porque ir às reuniões e campo vicia e vocês não sabem quanta falta me faz... Meus amigos, minhas irmãs, meus parentes, minha prima que eu tanto admiro e que já comeu melancia com farinha em tribo indígena pela causa de Jeová. Tem gente que nem sabe a atitude que eu tomei, mas não vou mais compartilhar de uma causa em que eu não acredito mais.

Minhas estudantes....

Amo a todos!

Espero encontrar outros amigos aqui.

Ah! Eu tenho dois pareceres de juristas importantes que a Associação encomendou sobre a questão do sangue e foi distribuído só para juízes e minha juíza me deu porque tenho uma relação muito aberta com ela, de respeito mesmo. Ela tem me ajudado muito. Eu não sei onde está agora porque minha vida está só um pouco atribulada, mas se alguém se interessar eu vou procurar.



Abraços, com elevada estima e consideração.
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Re: Apresentação - Fernanda Elisabeth

Nova mensagempor Dulcineia Mancha em 01 Abr 2011 03:16

Por isso tudo eu resolvi fazer minha carta de dissociação. Porque eu, como Testemunha de Jeová, segui os preceitos dessa organização da melhor maneira que eu pude enquanto me identificava como Testemunha de Jeová, mas acho que não me encaixo mais nesses preceitos.

Sei de todas as consequências que isso implica e já ouvi os textos como os do cachorro que volta ao próprio vômito e a porca lavada ao lamaçal, já ouvi e refleti sobre o texto que fala sobre fazer cócegas nos ouvidos, porque o que meu irmão diz é que agora eu estou querendo fazer cócegas nos meus ouvidos e tinha que estar disposta a continuar sofrendo por Jeová, teria que voltar a morar com minha mãe e meu pai e logo teria uma consecução. Mas, eu não quero, eu sou uma mulher independente e hoje pago o meu aluguel, minha faculdade e logo me livrarei das minhas dívidas. Não posso contar com ajuda de ex-marido e nem quero de ninguém.

E eu quero deixar um recado para as mulheres desse fórum. Valorizem-se e não achem que emprego de meio período e estudo até o segundo grau é o suficiente. Não é!


Parabens, Fernanda Beth, concordo em muitos aspectos com voce. A Torre não quer que ninguém estudo, para trabalahr de graça para ela e também para não abrir os olhos sobre tantas profecias falsas e outras coisas mais.
Seja bem vinda, coragem d:7 d:7
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Re: Apresentação - Fernanda Elisabeth

Nova mensagempor Rosa em 01 Abr 2011 03:23

Bem vinda Fernanda Beth.
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Re: Apresentação - Fernanda Elisabeth

Nova mensagempor ex-tudante em 01 Abr 2011 03:38

Nossa! Que mega apresentação, essa foi a primeira apresentação tão grande que já ali aqui no fórum! Seja bem vinda!
>> Socorram-me subi no onibus em marrocos >>
<< socorram me subino on ibus em-marrocoS <<
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Re: Apresentação - Fernanda Elisabeth

Nova mensagempor reggisilva em 01 Abr 2011 04:17

Fernanda beth boas vindas tb te dou. Tomastes, na minha opinião, a melhor decisão em se afastar disso que outrora chamávamos verdade. É a princípio sempre disconfortante nos afastarmos de lá, mas à medida que o tempo for passando e as flacatruas da Torres te forem sendo mais evidêntes, terás certeza que fizestes a melhor coisa. Parabéns ´tamos aqui à dispor, abraços fraternos reggisilva.
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Re: Apresentação - Fernanda Elisabeth

Nova mensagempor jpboane em 01 Abr 2011 04:24

Seja bem vinda Fernanda.
:11
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Re: Apresentação - Fernanda Elisabeth

Nova mensagempor mjperes em 01 Abr 2011 05:20

Seja muito bem vinda, Fernanda. Que seja muito feliz na sua nova vida! Afinal, como você citou, não podemos mudar o começo mas podemos fazer alguma coisa para alterar o final :w3lcome:
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Re: Apresentação - Fernanda Elisabeth

Nova mensagempor Pássaro em 01 Abr 2011 05:21

Menina, não desgrudei de sua apresentação! Espero que você consiga teus objetivos e seja bem vinda ao forum! :w3lcome: d:8
O barco da torre tá afundando?
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Re: Apresentação - Fernanda Elisabeth

Nova mensagempor kooboo em 01 Abr 2011 07:53

Fernanda,
sua historia me fez lembrar aquelas experiencias que eu lia na Despertai rsrs Grande, rica em detalhes, mostrando toda a genealogia que explica quem você é.
Muito legal seu relato.
Te desejo as mais sinceras boas vindas ao nosso forum!
:w3lcome:

Notei pelo relato que você é cristã, apenas deixou de crer no sistema das Testemunhas de Jeová. Aqui no 'nosso' fórum você encontrará muita coisa sobre a torre (que reafirmara a sua decisão), encontrará muitos relatos semelhantes, muitas histórias de luta, desilusão e encontro... e espero sinceramente que encontre sua 'verdade' pessoal e seu meio de espiritualizar-se fora de uma organização dominadora.
:bjo9:
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Re: Apresentação - Fernanda Elisabeth

Nova mensagempor fernanda_beth em 01 Abr 2011 08:21

Bom dia,

Sabe que fiquei feliz em ver respostas tão rápidas de alguns?

Antes de me decidir a fazer minha carta de dissociação eu não entrava em sites "apóstatas". Talvez por eu já ter minhas próprias dúvidas e conclusões isso para mim era impensável.

Meu irmão em uma outra fase também já conversou muito nesses sites e eu sempre fui ferrenhamente contra, cega mesmo, e o "ajudei" a sair disso. Eu reativei minha mãe na congregação e eu realmente amava a organização de Jeová, porque achava que eu era ruim, que eu não conseguia atingir as expectativas de Jeová. E ia atrás disso, queria ser "perfeita", assim como Jeová é "perfeito".

Além do que o controle social interno por ter uma família há tanto tempo na organização é muito grande. Mas com o tempo a gente vai vendo os problemas de cada um e vejo que são muitos os fatores que influenciam a história de uma pessoa, não só a religião, mas o nível cultural, a família, os colegas de classe, de serviço, as coisas que passa no dia a dia. Vejo, por exemplo, o quão diferente sou do meu irmão, que hoje é servo ministerial, está casado, relativamente feliz, embora também tenha seus defeitos e seus problemas. Mas, ele já teve muitos questionamentos e aprendeu bastante com esses sites que, na minha opinião, eram um "veneno". E olha eu aqui bebendo dessa água! Esperando ser recebida sem julgamentos.

O que mais tenho aprendido é não julgar ninguém, porque isso é o que mais tem dentro da organização. E é muito difícil de aplicar no dia a dia. Hoje tento ver a história da pessoa para tentar entender porque ela tomou as decisões que tomou, sabendo também que por sua cultura os seus julgamentos são diferentes dos meus. E acima de tudo que eu nunca serei perfeita, também serei julgada, e tomarei decisões diferentes de outras pessoas que tem outras influências. Mas, a tolerância deve estar acima de tudo.

Também já tive muitos embates com "apóstatas" no campo e sempre usei a técnica de que era melhor não tocarmos em coisas tão polêmicas, afinal, novas luzes eram lançadas. Eu passei a entender que as coisas eram humanas quando meu, ex-marido hoje, me falou que o superintendente de circuito lhe mostrou na brochura sobre as Testemunhas de Jeová que elas estudam sim, mas não tem nenhum canal aberto direto com o espírito santo. Isso quando estava tendo muitos problemas, para tudo ficar na conta da imperfeição e tudo foi ficando assim.

Desde então passei a dar mais valor a relacionamentos e não tanto doutrinas. Tanto que no campo sempre tive boas conversas mais sobre como a bíblia poderia nos ajudar em nosso dia a dia, nos relacionamentos, etc. Nunca forcei estudante a ir nas reuniões (isso de uns tempos para cá), mas falar sobre a bíblia e sobre Jeová para mim sempre foi um prazer.

Não posso ficar no "talvez", se tivesse feito isso ou aquilo... "Cada um faz as suas escolhas e tem que aguentar as conseqüências". Tanto que na minha carta de dissociação eu não questionei ensinos e nem nada, só falei o que todos sabiam, que perdi meu paraíso espiritual que um dia achei que tive e que estava em conflito e como achava que não estava mais disposta a colocar em prática as doutrinas pedia minha dissociação. O irmão da minha congregação é muito amoroso ele só disse que foi neutro em meu caso desde o princípio, mas se eu tinha ficado do lado de Jeová até agora, agora ia me afastar? Ia sair desse redil maravilhoso? Bom, sei que existem pessoas maravilhosas dentro da organização, mas eu não estou agora no momento disposta a sofrer mais. Acho que não é o que Deus quer para mim. E eu sei o que é ser tratada como excluída por conta do que passei na minha adolescência e acho que isso não é mais necessário.

Também pelo meu serviço aprendi a importância do contraditório o que vi que não é exercido em momento nenhum dentro da organização. Sei que o contraditório não garante a isenção total no julgamento humano, mas, se chegamos até aqui foi através de muita luta, e é nessa luta que preciso ser mais ativa hoje.

A Defensora Pública que trabalha na minha Vara sempre fala para as pessoas que o julgamento isento é só de Deus e eu sempre concordei com ela, mas achava que dentro da organização teria mais isenção e vejo que é pior, que talvez no sistema judiciário hoje a isenção seja maior porque há a acusação, a defesa, o juiz que estuda muito para chegar à conclusão, depois você pode recorrer a um colegiado e mais ainda até o STF, caso necessário e você possa claro. Há todo um processo, leis antiestigmatizantes, e mesmo assim às vezes não funciona.

Na organização são três anciãos, tão humanos quanto o juiz, só que com uma diferença, nem sempre são tão estudiosos e isentos, são influenciados somente pelo que lêem da organização. Ah, e você não tem chance de defesa, pode expor sua opinião, mas não sabe a decisão que vão tomar. E a apelação? Não existe porque se você escrever para Betel mas um ancião não referendar eles nem tomam conhecimento. Leis antiestigmatizantes, como a Lei 9099? Piada. Sei de tudo isso porque passei na pele.


Bom, já estou atrasada para a faculdade, mas não resisti em expor mais um pouco a minha opinião. Já que nunca fiz isso agora que me sinto livre estou me esbaldando.
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Re: Apresentação - Fernanda Elisabeth

Nova mensagempor kooboo em 01 Abr 2011 08:51

A maior piada de uma comissão é eles dizerem que tem o espírito santo para tomar a decisão, esse apelo ao lado místico faz com que muitos creiam que a decisão, por mais dura que seja, é uma repreensão dada por Jeová para o próprio bem. Só que todos nós conhecemos "N" casos de pessoas sinceras e arrependidas que foram desassociadas e o pior - apóstatas que foram readmitidos.
A conclusão é que no salão do reino não existe Espirito Santo, não existe Justiça, não existe Amor, não existe Conhecimento Secular - mas existe poder, interesses e influências.
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Re: Apresentação - Fernanda Elisabeth

Nova mensagempor TJ Curioso em 01 Abr 2011 09:00

Fernanda a história que contou, incluíndo a história de sua família desde o princípio dava uma novela!
Apreciei muito ler a sua experiência.

Seria bom facultar esses pareceres sobre o sangue para analisarmos.

Bem-vinda!
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Re: Apresentação - Fernanda Elisabeth

Nova mensagempor sidhiresus em 01 Abr 2011 09:08

Big apresentações. Seja bem vinda e aproveite bem o fórum.
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Re: Apresentação - Fernanda Elisabeth

Nova mensagempor Poltergeist em 01 Abr 2011 09:44

Seja bem-vinda!
A mentira teme a verdade. Afinal, você já viu "apóstatas" desassociando uma Testemunha de Jeová?

Procurando um assunto específico? Visite o Índice do Fórum: viewtopic.php?f=2&t=3230
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Re: Apresentação - Fernanda Elisabeth

Nova mensagempor Poseidon em 01 Abr 2011 10:02

Seja muito bem vinda.
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