Sutras Budistas - Resenha : Religiões, Crenças & Teologia
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Sutras Budistas - Resenha

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Sutras Budistas - Resenha

Nova mensagempor Rogério em 26 Out 2009 08:25

Sutra de Abhaya
Introdução (por Thanissaro Bhikkhu)

Neste discurso, o Buda mostra os fatores que decidem o que deve ser dito e o que não deve ser dito. Os principais fatores são três: se uma afirmação é verdadeira ou não, se é benéfica ou não e, se é agradável para os outros ou não. O próprio Buda afirmaria somente aquelas coisas que são verdadeiras e benéficas, e tinha uma noção do momento em que coisas agradáveis e desagradáveis deviam ser ditas. Observe que a possibilidade que uma afirmação sendo falsa possa no entanto ser benéfica não é considerada.

Este discurso também mostra, na prática, o ensinamento do Buda acerca dos quatro tipos de perguntas e como estas devem ser respondidas. O Príncipe lhe faz duas perguntas e em ambos os casos ele responde primeiro com uma contra pergunta, antes de dar uma resposta analítica à primeira pergunta e uma resposta categórica à segunda. Cada contra pergunta tem um duplo propósito: dar ao Príncipe um ponto de referência conhecido para entender a resposta que virá em seguida e também, para lhe dar a oportunidade de expressar o seu próprio entendimento e bons motivos. Isto também dá ao Príncipe a oportunidade de salvar sua honra após ter sido frustrado no seu desejo de superar o Buda na argumentação. O Comentário observa que o Príncipe havia colocado o seu filho pequeno no colo como um truque barato de alguém que irá participar de um debate: se o Buda o colocasse em uma posição desconfortável durante o debate, o Príncipe beliscaria o seu filho provocando o seu choro e dessa forma efetivamente pararia o debate. O Buda, no entanto, usa a presença da criança para remover qualquer noção de que haverá um debate e também para fazer uma observação eficaz. Tomando a idéia do Nigantha Nataputta de um objeto perigoso entalado na garganta, ele o aplica à criança, e então faz a observação de que, ao contrário dos Niganthas – que não veriam problema em deixar alguém com um objeto perigoso entalado na garganta – o desejo do Buda é de remover tais objetos, por compaixão. Dessa forma ele traz o Príncipe para o seu lado, convertendo um oponente em potencial em um discípulo.

Assim este discurso não é somente sobre linguagem correta mas também mostra a linguagem correta sendo empregada.




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1. Assim ouvi. Em certa ocasião o Abençoado estava em Rajagaha, no Bambual, no Santuário dos Esquilos.

2. Então o Príncipe Abhaya [1] foi até o Nigantha Nataputta e depois de cumprimentá-lo sentou a um lado e o Nigantha Nataputta disse:

3. "Venha, Príncipe, refute as palavras do contemplativo Gotama, e este admirável relato a seu respeito irá se espalhar por grandes distâncias: 'A doutrina do contemplativo Gotama – que é tão forte e poderoso – foi refutada pelo Príncipe Abhaya!'"

"Mas como, venerável senhor, refutarei a sua doutrina?"

"Venha, Príncipe, vá até o contemplativo Gotama e chegando diga o seguinte: 'Venerável senhor, o Tathagata diria palavras que são antipáticas e desagradáveis para outras pessoas?' Se o contemplativo Gotama, perguntado dessa forma, responder 'O Tathagata diria palavras que são antipáticas e desagradáveis para outras pessoas,' então você diria, 'Então, venerável senhor, qual é a diferença entre você e as pessoas comuns? Pois as pessoas comuns também dizem palavras que são antipáticas e desagradáveis para outras pessoas.’ Porém se o contemplativo Gotama, perguntado dessa forma, responder, 'O Tathagata não diria palavras que são antipáticas e desagradáveis para outras pessoas,' então você diria, 'Então como, venerável senhor, você falou acerca de Devadatta que "Devadatta está destinado aos estados de privação, Devadatta está indo em direção ao inferno, Devadatta irá permanecer [no inferno] por um éon, Devadatta é incorrigível?" Pois Devadatta ficou zangado e insatisfeito com essas suas palavras.' Quando essa questão com duas pontas for colocada para o contemplativo Gotama, ele não terá como engoli-la ou cuspi-la. Tal como se uma pedaço de ferro com duas pontas ficasse entalado na garganta de um homem, ele não conseguiria engoli-lo ou cuspi-lo. Da mesma forma, quando essa questão com duas pontas for colocada para o contemplativo Gotama, ele não será capaz de engoli-la ou cuspi-la."

4. "Sim, venerável senhor," respondeu o Príncipe Abhaya. Então, ele levantou do seu assento, e depois de homenagear o Nigantha Nataputta, mantendo-o à sua direita, partiu e se dirigiu até o Abençoado. Depois de cumprimentá-lo, ele sentou a um lado, olhou para o Sol e pensou, "Hoje é muito tarde para refutar a doutrina do Abençoado. Amanhã na minha própria casa eu irei refutar a doutrina do Abençoado." Então ele disse para o Abençoado: "Venerável senhor, que o Abençoado, juntamente com outros três, aceite o meu convite para a refeição de amanhã." O Abençoado concordou em silêncio.

5. Então, sabendo que o Abençoado havia concordado, o Príncipe Abhaya levantou do seu assento, e depois de homenagear o Abençoado, mantendo-o à sua direita, partiu. Então, quando havia terminado a noite, ao amanhecer, o Abençoado se vestiu e carregando a sua tigela e o manto externo foi até a casa do Príncipe Abhaya, sentando num assento que havia sido preparado. Então, com as próprias mãos, o Príncipe Abhaya serviu e satisfez o Abençoado com vários tipos de boa comida. Em seguida, quando o Abençoado havia terminado de comer e retirado a mão da sua tigela, o Príncipe Abhaya sentou a um lado, num assento mais baixo, e disse para o Abençoado:

6. "Venerável senhor, um Tathagata diria palavras que são antipáticas e desagradáveis para outras pessoas?"

"Príncipe, não existe uma resposta única para essa pergunta."

"Então, venerável senhor, neste caso os Niganthas perderam."

"Mas Príncipe, porque você diz isto: 'Então, venerável senhor, neste caso os Niganthas perderam'?" [2]

O Príncipe Abhaya então relatou ao Abençoado toda a conversa com o Nigantha Nataputta.

7.Agora, naquela ocasião um bebê menino estava deitado no colo do Príncipe com o rosto para cima. Então o Abençoado disse ao Príncipe, "O que você pensa, Príncipe: se enquanto você ou a ama-seca não estivessem prestando atenção, essa criança colocasse um graveto ou uma pedra na própria boca, o que você faria?"

"Eu o tiraria, venerável senhor. Se eu não conseguisse tirar com facilidade, então segurando a sua cabeça com a minha mão esquerda e curvando um dedo da mão direita, eu o tiraria, mesmo se com isso ele se machucasse. Por que isso? Porque eu tenho compaixão pelo jovem bebê."

8. "Da mesma forma, Príncipe: no caso de palavras que o Tathagata sabe que não correspondem aos fatos, não são verdadeiras, não são benéficas e que também são antipáticas e desagradáveis para outras pessoas: essas palavras, ele não as diz. No caso de palavras que o Tathagata sabe que correspondem aos fatos, são verdadeiras, não são benéficas e que também são antipáticas e desagradáveis para outras pessoas: essas palavras, ele não as diz. No caso de palavras que o Tathagata sabe que correspondem aos fatos, são verdadeiras, são benéficas, porém são antipáticas e desagradáveis para outras pessoas: o Tathagata tem a noção do momento mais apropriado para dizê-las.[3] No caso de palavras que o Tathagata sabe que não correspondem aos fatos, não são verdadeiras, não são benéficas, porém são simpáticas e agradáveis para outras pessoas: essas palavras ele não as diz. No caso de palavras que o Tathagata sabe que correspondem aos fatos, são verdadeiras, não são benéficas, porém são simpáticas e agradáveis para outras pessoas: essas palavras ele não as diz. No caso de palavras que o Tathagata sabe que correspondem aos fatos, são verdadeiras e benéficas e que também são simpáticas e agradáveis para outras pessoas: o Tathagata tem a noção do momento mais apropriado para dizê-las. Por que isso? Porque o Tathagata tem compaixão pelos seres vivos."

9. "Venerável senhor, quando nobres sábios, brâmanes sábios, chefes de família sábios e contemplativos sábios, tendo formulado uma questão procuram o Abençoado e lhe perguntam, o pensamento já está na mente do Abençoado - 'Se aqueles que me procuram perguntarem isto, eu – perguntado dessa forma – responderei assim' – ou o Tathagata encontra a resposta no momento?"

10. "Nesse caso, Príncipe, eu lhe farei uma contra pergunta. Responda como quiser. O que você pensa: você conhece bem as partes de uma carruagem?"

"Sim, venerável senhor, eu conheço bem as partes de uma carruagem."

"E o que você pensa, Príncipe? Quando as pessoas o procuram e perguntam: 'Qual é o nome desta parte da carruagem?' O pensamento já está na sua mente - 'Se aqueles que me procuram perguntarem isto, eu – perguntado dessa forma – responderei assim' – ou você encontra a resposta no momento?"

"Venerável senhor, eu sou famoso por conhecer bem todas as partes de uma carruagem. Todas as partes de uma carruagem me são bem familiares. Eu encontro a resposta no momento."

11. "Da mesma forma, Príncipe, quando nobres sábios, brâmanes sábios, chefes de família sábios e contemplativos sábios, tendo formulado uma questão procuram o Abençoado e lhe perguntam, ele encontra a resposta na hora. Por que isso? Porque o elemento natureza das coisas foi completamente penetrado pelo Tathagata, através dessa completa penetração, ele encontra as respostas no momento." [4]

12. Quando isso foi dito, o Príncipe Abhaya disse ao Abençoado: "Magnífico, venerável senhor! Magnífico, venerável senhor! O Abençoado esclareceu o Dhamma de várias formas, como se tivesse colocado em pé o que estava de cabeça para baixo, revelasse o que estava escondido, mostrasse o caminho para alguém que estivesse perdido ou segurasse uma lâmpada no escuro para aqueles que possuem visão pudessem ver as formas. Nós buscamos refúgio no Abençoado, no Dhamma e na Sangha dos bhikkhus. Que a partir de hoje o Abençoado se recorde de mim como um discípulo leigo que nele buscou refúgio para o resto da sua vida."




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Notas

[1] Príncipe Abhaya era filho do rei Bimbisara de Magadha, porém não era o herdeiro ao trono. [Retorna]

[2] Os dois lados do dilema propostos por Nigantha Nataputta assume que o Buda daria uma resposta única. Tendo a resposta única sido rejeitada, o dilema já não se aplica.[Retorna]

[3] O Buda não hesita em censurar e admoestar os seus discípulos quando ele vê que esse tipo de linguagem irá promover o bem deles. [Retorna]

[4] MA diz que dhammadhatu (“elemento natureza das coisas”) se refere ao conhecimento onisciente do Buda. Neste caso dhammadhatu não deve ser confundido com o mesmo termo que é usado para descrever o elemento objeto mental que é parte dos dezoito elementos, também não contém o significado de um princípio cósmico abrangente que esse termo adquire no Budismo Mahayana. [Retorna]
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Re: Sutras Budistas - Resenha

Nova mensagempor Rogério em 26 Out 2009 08:39

Aprendendo a lidar com o medo da Morte - Sutra do Destemido

O brâmane Janussoni foi até o Abençoado e ao chegar, ambos se cumprimentaram. Quando a conversa cortês e amigável havia terminado ele se dirigiu ao Abençoado: “O meu entendimento e a minha opinião é de que não existe ninguém que face à morte, não sinta medo e terror da morte.”

[ O Abençoado disse ] “Brâmane, existem aqueles que face à morte sentem medo e terror da morte. E existem aqueles que face à morte não sentem medo e terror da morte.

“E qual é a pessoa que face à morte sente medo e terror da morte? É o caso da pessoa que não abandonou a paixão, desejo, afeição, sede, cobiça e ambição pelos prazeres sensuais. E então ela é acometida de uma grave enfermidade. Tendo sido acometida pela grave enfermidade o seguinte pensamento lhe ocorre, ‘Ah, todos esses prazeres sensuais que tanto amo serão tomados de mim e eu serei tomado deles!’ Ela se entristece, fica angustiada e lamenta, ela chora batendo no peito e fica perturbada. Essa é uma pessoa que face à morte sente medo e terror da morte.

“Além disso há o caso da pessoa que não abandonou a paixão, desejo, afeição, sede, cobiça e ambição pelo corpo. E então ela é acometida de uma grave enfermidade. Tendo sido acometida pela grave enfermidade o seguinte pensamento lhe ocorre, ‘Ah, este corpo que tanto amo será tomado de mim e eu serei tomado do meu corpo!’ Ela se entristece, fica angustiada e lamenta, ela chora batendo no peito e fica perturbada. Essa é uma pessoa que face à morte sente medo e terror da morte.

“Além disso há o caso da pessoa que não praticou o que é benéfico, não praticou o que é hábil, não deu proteção aos que sentem temor e ao invés disso praticou o que é prejudicial, foi selvagem e cruel. E então ela é acometida de uma grave enfermidade. Tendo sido acometida pela grave enfermidade o seguinte pensamento lhe ocorre, ‘Não pratiquei o que é benéfico, não pratiquei o que é hábil, não dei proteção àqueles que sentem temor e ao invés disso pratiquei o que é prejudicial, fui selvagem e cruel. Se existe algum destino para aqueles que não praticaram o que é benéfico, foram inábeis, não deram proteção àqueles que sentem temor e ao invés disso praticaram o que é prejudicial, foram selvagens e cruéis, é para lá que irei após a morte.’ Ela se entristece, fica angustiada e lamenta, ela chora batendo no peito e fica perturbada. Essa é uma pessoa que face à morte também sente medo e terror da morte.

“Além disso há o caso da pessoa que tem dúvida e perplexidade, que não está segura em relação ao verdadeiro Dhamma. E então ela é acometida de uma grave enfermidade. Tendo sido acometida pela grave enfermidade o seguinte pensamento lhe ocorre, ‘Tenho dúvida e perplexidade! Não tenho segurança em relação ao verdadeiro Dhamma!’ Ela se entristece, fica angustiada e lamenta, ela chora batendo no peito e fica perturbada. Essa é uma pessoa que face à morte também sente medo e terror da morte.

“Essas brâmane, são quatro pessoas que face à morte sentem medo e terror da morte.

“E qual é a pessoa que face à morte não sente medo e terror da morte?

“É o caso da pessoa que abandonou a paixão, desejo, afeição, sede, cobiça e ambição pelos prazeres sensuais. E então ela é acometida de uma grave enfermidade. Tendo sido acometida pela grave enfermidade o seguinte pensamento lhe ocorre, ‘Ah, todos esses prazeres sensuais que tanto amo serão tomados de mim e eu serei tomado deles!’ Ela não se entristece, não fica angustiada e não lamenta, não chora e não bate no peito e não fica perturbada. Essa é uma pessoa que face à morte não sente medo e terror da morte.

“Além disso há o caso da pessoa que abandonou a paixão, desejo, afeição, sede, cobiça e ambição pelo corpo. E então ela é acometida de uma grave enfermidade. Tendo sido acometida pela grave enfermidade o pensamento não lhe ocorre, ‘Ah, este corpo que tanto amo será tomado de mim e eu serei tomado do meu corpo!’ Ela não se entristece, não fica angustiada e não lamenta, não chora e não bate no peito e não fica perturbada. Essa é uma pessoa que face à morte não sente medo e terror da morte.

“Além disso há o caso da pessoa que praticou o que é benéfico, praticou o que é hábil, deu proteção àqueles que sentem temor, não praticou o que é prejudicial, não foi selvagem nem cruel. E então ela é acometida de uma grave enfermidade. Tendo sido acometida pela grave enfermidade o pensamento lhe ocorre, ‘Pratiquei o que é benéfico, pratiquei o que é hábil, dei proteção àqueles que sentem temor, não pratiquei o que é prejudicial, não fui selvagem nem cruel. Se existe algum destino para aqueles que praticaram o que é benéfico, foram hábeis, deram proteção àqueles que sentem temor, não praticaram o que é prejudicial, não foram selvagens nem cruéis, é para lá que irei após a morte.’ Ela não se entristece, não fica angustiada e não lamenta, não chora e não bate no peito e não fica perturbada. Essa também é uma pessoa que face à morte não sente medo e terror da morte.

“Além disso há o caso da pessoa que não tem dúvida nem perplexidade, que está segura em relação ao verdadeiro Dhamma. E então ela é acometida de uma grave enfermidade. Tendo sido acometida pela grave enfermidade o seguinte pensamento lhe ocorre, ‘Não tenho dúvida nem perplexidade! Tenho segurança em relação ao verdadeiro Dhamma!’ Ela não se entristece, não fica angustiada e não lamenta, não chora e não bate no peito e não fica perturbada. Essa também é uma pessoa que face à morte não sente medo e terror da morte.

“Essas brâmane, são quatro pessoas que face à morte não sentem medo e terror da morte.”

[ Quando isto foi dito, o brâmane Janussoni disse: ] “ Magnífico Mestre Gotama! Magnífico! O Mestre Gotama esclareceu o Dhamma de várias formas, como se ele virasse para cima o que estava de cabeça para baixo, revelasse o que estava escondido, mostrasse o caminho para quem estivesse perdido, ou segurasse um lâmpada no escuro para aqueles que possuem olhos possam enxergar. Eu busco refúgio no Mestre Gotama no Dhamma e na Sangha dos bhikkhus. Que o Mestre Gotama se recorde de mim como um discípulo leigo que tomou refúgio a partir deste dia pelo resto de sua vida.”
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Re: Sutras Budistas - Resenha

Nova mensagempor kooboo em 26 Out 2009 15:09

Rogerio,
So para complementar a resenha, tu consegue as datas/locais que foram realizados os discursos?
tks
[]'s
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Re: Sutras Budistas - Resenha

Nova mensagempor Rogério em 26 Out 2009 15:51

Caro kooboo:

Infelizmente isto não é possível. Primeiramente porque não se sabe quando o buddha viveu.

Há inclusive historiadores que afirmam que buddha era negro e descendia que uma tribo africana que migrou para a Proto-índia.

Realmente é uma figura histórica muito curiosa.

Os Sutras somente foram compilados tradicionalmente pouco depois da morte de Sidarta, mas infelizmente, os originais foram destruídos pelos muçulmanos (assim como umas 12 linhagens budistas) quando estes destruíram a universidade de Nalanda.

A confusão ocorre porque há erros crassos na análise histórica Indiana.

Segue um link a respeito

http://translate.google.com.br/translat ... %26tl%3Den

Paz :7
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Re: Sutras Budistas - Resenha

Nova mensagempor dr.horrormentes em 26 Out 2009 20:36

Continue postando Rogério esse Sutras são muito interessante.

Abraços!!
Verdades sustentadas por motivos irracionais podem ser mais nocivas do que erros bem pensados.
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Re: Sutras Budistas - Resenha

Nova mensagempor Rogério em 26 Out 2009 22:01

O Melhor dos Sutras! Eu ando com uma cópia dele:

Sutra aos Kalamas

Em certa ocasião, o Abençoado estava perambulando por Kosala com uma grande sangha de bikkhus até que por fim ele chegou em Kesaputta, uma cidade dos Kalamas. Os Kalamas de Kesaputta ouviram dizer, “Gotama o contemplativo, o filho dos Sakyas, que adotou a vida santa deixando o clã dos Sakyas, que andava perambulando em Kosala com um grande número de bhikkhus chegou em Kesaputta. E acerca desse mestre Gotama existe essa boa reputação: ‘Esse Abençoado é um arahant, perfeitamente iluminado, consumado no verdadeiro conhecimento e conduta, bem-aventurado, conhecedor dos mundos, um líder insuperável de pessoas preparadas para serem treinadas, mestre de devas e humanos, desperto, sublime. Ele declara - tendo realizado por si próprio com o conhecimento direto - este mundo com os seus devas, maras e brahmas, esta população com seus contemplativos e brâmanes, seus príncipes e povo. Ele ensina o Dhamma, com o significado e fraseado corretos, que é admirável no início, admirável no meio, admirável no final; e ele revela uma vida santa que é completamente perfeita e imaculada. É bom poder encontrar alguém tão nobre.”

Assim os Kalamas de Kesaputta foram até o Abençoado. Alguns homenagearam o Abençoado e sentaram a um lado; alguns trocaram saudações corteses com ele e após a troca de saudações sentaram a um lado; alguns ajuntaram as mãos em respeitosa saudação e sentaram a um lado; alguns anunciaram o seu nome e clã e sentaram a um lado. Alguns permaneceram em silêncio e sentaram a um lado.

Uma vez sentados, eles disseram para o Abençoado: “Senhor, existem alguns brâmanes e contemplativos que vêm para Kesaputta. Eles explicam e glorificam as suas doutrinas, porém com relação às doutrinas de outros, eles as desaprovam, as repelem, demonstram desprezo por elas e fazem pouco delas. E então outros brâmanes e contemplativos vêm para Kesaputta. Eles explicam e glorificam as suas doutrinas, porém com relação às doutrinas de outros, eles as desaprovam, as repelem, demonstram desprezo por elas e fazem pouco delas. Eles nos deixam confusos e em dúvida: quais desses brâmanes e contemplativos estão falando a verdade e quais estão mentindo?”

“Claro que vocês estão confusos Kalamas. Claro que vocês têm dúvidas. Porque a dúvida surge com relação a qualquer assunto que cause a perplexidade. Dessa forma, Kalamas, nesse caso não se deixem levar pelos relatos, pelas tradições, pelos rumores, por aquilo que está nas escrituras, pela razão, pela inferência, pela analogia, pela competência (ou confiabilidade) de alguém, por respeito por alguém, ou pelo pensamento, ‘Este contemplativo é o nosso mestre.’ Quando vocês souberem por vocês mesmos que, ‘Essas qualidades são inábeis; essas qualidades são culpáveis; essas qualidades são passíveis de crítica pelos sábios; essas qualidades quando postas em prática conduzem ao mal e ao sofrimento’ - então vocês devem abandoná-las.

“O que vocês pensam Kalamas? Quando a cobiça surge em uma pessoa, ela surge para o bem ou para o mal?”

“Para o mal, senhor.”

“E essa pessoa que está tomada pela cobiça, sua mente obcecada com a cobiça, mata seres vivos, toma o que não lhe é dado, busca a mulher do próximo, mente, e induz outros a fazerem o mesmo, tudo o que resulta é dano e sofrimento por um longo tempo.”

“Sim, senhor”

“E o que vocês pensam, Kalamas? Quando a aversão surge em uma pessoa, ela surge para o bem ou para o mal?”

“Para o mal, senhor.”

“E essa pessoa tomada pela aversão, sua mente obcecada pela aversão, mata seres vivos, toma o que não lhe é dado, busca a mulher do próximo, mente, e induz outros a fazerem o mesmo, tudo o que resulta é dano e sofrimento por um longo tempo.”

“Sim, senhor.”

“E o que vocês pensam, Kalamas? Quando a delusão surge em uma pessoa, ela surge para o bem ou para o mal?”

“Para o mal, senhor.”

“E essa pessoa tomada pela delusão, sua mente obcecada pela delusão, mata seres vivos, toma o que não lhe é dado, busca a mulher do próximo, mente, e induz outros a fazerem o mesmo, tudo o que resulta é dano e sofrimento por um longo tempo.”

“Sim, senhor.”

“Então Kalamas o que vocês pensam. Essa qualidades são hábeis ou inábeis?”

“Inábeis, senhor.”

“Culpáveis ou isentas de culpa?”

“Culpáveis, senhor.”

“Criticadas pelos sábios ou elogiadas pelos sábios?”

“Criticadas pelos sábios, senhor.”

“Quando postas em prática elas conduzem ao mal e ao sofrimento ou não?”

“Quando postas em prática elas conduzem ao mal e ao sofrimento. Assim é como as vemos.”

“Então como eu disse, Kalamas: ‘Não se deixem levar pelos relatos, pelas tradições, pelos rumores, por aquilo que está nas escrituras, pela razão, pela inferência, pela analogia, pela competência (ou confiabilidade) de alguém, por respeito por alguém, ou pelo pensamento, “Este contemplativo é o nosso mestre.” Quando vocês souberem por vocês mesmos que, “Essas qualidades são inábeis; essas qualidades são culpáveis; essas qualidades são criticáveis pelos sábios; essas qualidades quando postas em prática conduzem ao mal e ao sofrimento” - então vocês devem abandoná-las.’ Assim foi dito. E em referência a isso é que foi dito.

“Agora Kalamas, não se deixem levar pelos relatos, pelas tradições, pelos rumores, por aquilo que está nas escrituras, pela razão, pela inferência, pela analogia, pela competência (ou confiabilidade) de alguém, por respeito por alguém, ou pelo pensamento, ‘Este contemplativo é o nosso mestre.’ Quando vocês souberem por vocês mesmos que, ‘Essas qualidades são hábeis; essas qualidades são isentas de culpa; essas qualidades são elogiadas pelos sábios; essas qualidades quando postas em prática conduzem ao bem-estar e à felicidade” - então vocês devem penetrar e permanecer nelas.

“O que vocês pensam Kalamas? Quando a ausência de cobiça surge em uma pessoa, ela surge para o bem ou para o mal?”

“Para o bem, senhor.”

“E essa pessoa que não está tomada pela cobiça, sua mente não está obcecada pela cobiça, não mata seres vivos, não toma o que não lhe é dado, não busca a mulher do próximo, não mente, e não induz outros a fazerem o mesmo, tudo o que resulta para o bem-estar e felicidade por um longo tempo.”

“Sim, senhor”

“O que vocês pensam Kalamas? Quando a ausência de aversão surge em uma pessoa, ela surge para o bem ou para o mal?”

“Para o bem, senhor.”

“E essa pessoa que não está tomada pela aversão, sua mente não está obcecada pela aversão, não mata seres vivos, não toma o que não lhe é dado, não busca a mulher do próximo, não mente, e não induz outros a fazerem o mesmo, tudo o que resulta para o bem-estar e felicidade por um longo tempo.”

“Sim, senhor”

“O que vocês pensam Kalamas? Quando a ausência de delusão surge em uma pessoa, ela surge para o bem ou para o mal?”

“Para o bem, senhor.”

“E essa pessoa que não está tomada pela delusão, sua mente não está obcecada pela delusão, não mata seres vivos, não toma o que não lhe é dado, não busca a mulher do próximo, não mente, e não induz outros a fazerem o mesmo, tudo o que resulta para o bem-estar e felicidade por um longo tempo.”

“Sim, senhor”

“Então Kalamas o que vocês pensam. Essa qualidades são hábeis ou inábeis?”

“Hábeis, senhor.”

“Culpáveis ou isentas de culpa?”

“Isentas de culpa, senhor.”

“Criticadas pelos sábios ou elogiadas pelos sábios?”

“Elogiadas pelos sábios, senhor.”

“Quando postas em prática elas conduzem ao bem e à felicidade ou não?”

“Quando postas em prática elas conduzem ao bem e à felicidade. Assim é como as vemos.”

“Então como eu disse, Kalamas: ‘Não se se deixem levar pelos relatos, pelas tradições, pelos rumores, por aquilo que está nas escrituras, pela razão, pela inferência, pela analogia, pela competência (ou confiabilidade) de alguém, por respeito por alguém, ou pelo pensamento, “Este contemplativo é o nosso mestre.” Quando vocês souberem por vocês mesmos que, “Essas qualidades são hábeis; essas qualidades são isentas de culpa; essas qualidades são elogiadas pelos sábios; essas qualidades quando postas em prática conduzem ao bem e à felicidade” - então vocês devem entrar e permanecer nelas.’ Assim foi dito. E em referência a isso é que foi dito.

“Agora Kalamas, aquele que é um nobre discípulo - portanto despojado de cobiça, despojado de má vontade, não deludido, com atenção plena e plena consciência – permanece permeando o primeiro quadrante com a mente imbuída de amor bondade, da mesma forma o segundo, da mesma forma o terceiro, da mesma forma o quarto; assim acima, abaixo, em volta e em todos os lugares, para todos bem como para si mesmo, ele permeia o mundo todo com a mente imbuída de amor bondade, abundante, transcendente, imensurável, sem hostilidade e sem má vontade .

“Ele permanece permeando o primeiro quadrante com a mente imbuída de compaixão, da mesma forma o segundo, da mesma forma o terceiro, da mesma forma o quarto; assim acima, abaixo, em volta e em todos os lugares, para todos bem como para si mesmo, ele permeia o mundo todo com a mente imbuída de compaixão, abundante, transcendente, imensurável, sem hostilidade e sem má vontade.

“Ele permanece permeando o primeiro quadrante com a mente imbuída de alegria altruísta, da mesma forma o segundo, da mesma forma o terceiro, da mesma forma o quarto; assim acima, abaixo, em volta e em todos os lugares, para todos bem como para si mesmo, ele permeia o mundo todo com a mente imbuída de alegria altruísta, abundante, transcendente, imensurável, sem hostilidade e sem má vontade.

“Ele permanece permeando o primeiro quadrante com a mente imbuída de equanimidade, da mesma forma o segundo, da mesma forma o terceiro, da mesma forma o quarto; assim acima, abaixo, em volta e em todos os lugares, para todos bem como para si mesmo, ele permeia o mundo todo com a mente imbuída de equanimidade, abundante, transcendente, imensurável, sem hostilidade e sem má vontade .

“Agora Kalamas, aquele que é um nobre discípulo - sua mente livre de hostilidades, livre de má vontade, imaculada e pura - obtém quatro garantias no aqui e agora:

“’Se existe um mundo após a morte, se existem conseqüências das boas e más ações, então essa é a base pela qual com a dissolução do corpo, após a morte, renascerei num destino feliz, no paraíso.’ Essa é a primeira garantia que ele obtém.

“’Porém se não existe um mundo após a morte, se não existem conseqüências das boas e más ações, então nesta vida cuidarei de mim mesmo com tranqüilidade - livre de hostilidades, livre de má vontade, livre de dificuldades.” Esta é a segunda garantia que ele obtém.

“’Se conseqüências ruins recaem sobre quem pratica ações más, eu no entanto não penso em agir com maldade, então, como poderão os resultados ruins recaírem sobre mim?” Essa é a terceira garantia que ele obtém.

“’Porém se conseqüências ruins não recaírem sobre quem pratica ações más, então de todas formas estou purificado.” Essa é a quarta garantia que ele obtém.

“Aquele que é um nobre discípulo - sua mente livre de hostilidades, livre de má vontade, imaculada e pura - obtém essas quatro garantias no aqui e agora.”

“Assim é, Abençoado. O nobre discípulo - sua mente livre de hostilidades, livre de má vontade, imaculada e pura - obtém quatro garantias no aqui e agora:

“’Se existe um mundo após a morte, se existem conseqüências das boas e más ações, então essa é a base pela qual com a dissolução do corpo, após a morte, renascerei num destino feliz, no paraíso.’ Essa é a primeira garantia que ele obtém.

“’Porém se não existe um mundo após a morte, se não existem conseqüências das boas e más ações, então nesta vida cuidarei de mim mesmo com tranqüilidade - livre de hostilidades, livre de má vontade, livre de dificuldades.” Esta é a segunda garantia que ele obtém.

“’Se conseqüências ruins recaem sobre quem pratica ações más, eu no entanto não penso em agir com maldade, então, como poderão os resultados ruins recaírem sobre mim?” Essa é a terceira garantia que ele obtém.

“’Porém se conseqüências ruins não recaírem sobre quem pratica ações más, então de todas formas estou purificado.” Essa é a quarta garantia que ele obtém.

“Aquele que é um nobre discípulo - sua mente livre de hostilidades, livre de má vontade, imaculada e pura - obtém essas quatro garantias no aqui e agora.”

“Magnífico, Mestre Gotama! Magnífico, Mestre Gotama! Mestre Gotama esclareceu o Dhamma de várias formas, como se tivesse colocado em pé o que estava de cabeça para baixo, revelasse o que estava escondido, mostrasse o caminho para alguém que estivesse perdido ou segurasse uma lâmpada no escuro para aqueles que possuem visão pudessem ver as formas. Nós buscamos refúgio no Abençoado, no Dhamma e na Sangha dos Bhikkhus. Que o Abençoado se recorde de nós como os discípulos leigos que nele buscaram refúgio para o resto da vida.”
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Re: Sutras Budistas - Resenha

Nova mensagempor Rogério em 29 Out 2009 12:26

Sutta de Ananda

Então o errante Vacchagotta foi até o Abençoado e ambos se cumprimentaram. Quando a conversa cortês e amigável havia terminado, ele sentou a um lado e perguntou ao Abençoado:

“Então, Venerável Gotama, existe um eu?” Quando isso foi dito, o Abençoado ficou em silêncio.

“Então, não existe um eu?” Uma segunda vez o Abençoado ficou em silêncio.

Então o errante Vacchagotta levantou-se do seu assento e partiu.

Em seguida, não muito tempo após o errante Vacchagotta ter partido o Venerável Ananda disse ao Abençoado:

“Porque, senhor, o Abençoado não respondeu quando foi perguntado pelo errante Vacchagotta?”

“Ananda, se eu, tendo sido perguntado pelo errante Vacchagotta se existe um eu, tivesse respondido que existe um eu, isso estaria conforme com aqueles brâmanes e contemplativos que são os expoentes da doutrina eternalista (isto é, a idéia de que existe uma alma eterna). E se eu ... tivesse respondido que não existe um eu, isso estaria conforme com aqueles brâmanes e contemplativos que são os expoentes do niilismo (isto é de que a morte é a aniquilação da experiência). Se eu ... tivesse respondido que existe um eu, isso seria compatível com o surgimento do conhecimento de que todos os fenômenos são não-eu?"

“Não, Senhor.”

“E se eu ... tivesse respondido que não existe um eu, o confuso Vacchagotta ficaria ainda mais confuso: ‘Aquele eu que eu costumava ter, agora não existe?’”
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