Quando permanecer TJ se torna cômodo : Depoimentos
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Quando permanecer TJ se torna cômodo

Depoimentos de ex-testemunhas de Jeová, cartas de dissociação e depoimentos sobre a vida pós Torre de Vigia. Aqui fala mais alto a sinceridade, o sentimento e muitas vezes os relatos nos impressionam pela falta de algo que mais as Testemunhas de Jeová dizem praticar: o amor ao próximo!
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Quando permanecer TJ se torna cômodo

Nova mensagempor Benji em 15 Set 2015 23:30

Bem, de certo que 99% dos participantes desse fórum de alguma forma não acreditam mais em tudo que a Torre de Vigia ensina e boa parte se desligou ou pretende se desligar da religião, o que acarretou ou acarretará uma mudança drástica em suas vidas, mas trago hoje uma situação de reflexão a respeito da minha própria família...

Venho de uma família pequena, mãe viúva onde só eu e ela ainda estamos dentro da Torre, minha irmã mora do outro lado do país com sua vida própria, nunca chegou a se batizar e abandonou a organização logo adolescente. Minha mãe nunca foi das TJs mais fervorosas, posso até afirmar que ela se batizou mais por o impulso e grande influência das amizades que havia desenvolvido com as TJ após a morte do meu pai, mas nunca teve aquele ápice fervoroso da maioria dos novatos que se empenham o máximo que podem pra ~agradar a Jeová~ com todo o gás do recém batismo, porém ela permanece batizada já por décadas, mas se saiu de pioneira umas 2 vezes foi muito e vejo que isso ainda a deixa com sentimentos de culpa, mesmo assim ela sempre manteve a "mente aberta" e nunca foi na onda dos TJs bitolados e de consciência super sensíveis, apesar de conviver com muitos deles. Houve um período de fortes problemas na nossa família que por pouco ela não se tornou inativa, mas eu e minha irmã (ainda na época no salão) a arrastávamos pras reuniões, inclusive ela diz que se não fosse pelos filhos não estaria mais na organização.

Hoje, eu que tbm já tenho uns anos de batismo pretendo dar uma mudança 360º na minha vida em breve me desgarrando dos laços da torre, mas tenho apenas 20 anos e sei que ainda tenho toda uma vida pela frente para construir como na maioria dos relatos daqui do fórum dos que se desligaram e conseguiram reerguer sua vida e dar um rumo a ela construindo para si um novo caminho, com novos objetivos, novas amizades etc. Porém paro para analisar o lado da minha mãe, imagino que quando eu deixar de fato de ser uma Testemunha de Jeová isso será um baque enorme pra ela, mas ao mesmo tempo acredito que se torne alguém fácil para se abrir os olhos para as inúmeras falhas dos ensinos da Torre que seguimos por anos, só que vem a grande questão: ela já é uma mulher quase na casa dos 60 anos de idade que há mais de 20 anos cortou laços com qualquer amizade que não seja do meio TJ, nem mesmo família perto possuímos, me pergunto que vida restaria pra ela caso saísse da Torre logo depois de mim, uma vez que tudo e todos que fazem parte do dia-a-dia dela a excluiriam e a tratariam como bem sabemos que são tratados os desassociados... Será que realmente valeria a pena ''abrir os olhos'' dela e a arrancar de lá de dentro? Me pegunto se não há um certo momento da vida em que acaba se tornando cômodo se manter nesse círculo social das TJ... mesmo sob tantas regras ela ainda vive uma vida tranquila em uma cidade pequena onde tem boas amizades dentro do salão do reino que bem ou mal estiveram do lado dela quando ela precisou e ainda são presentes no seu dia-a-dia, sendo praticamente os únicos... Sei que no fórum existem pessoas de mais idade... quem saiu da Torre depois de uma certa idade ou passou por alguma situação parecida poderia dar seu depoimento/conselho de como lidou com a situação?
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Re: Quando permanecer TJ se torna cômodo

Nova mensagempor Estudante da Bíblia em 15 Set 2015 23:48

Olá Benji!

Compreendo o que quer dizer por inclusive já ter tido o mesmo raciocínio quanto à minha própria mãe também. Não sei, mas as vezes penso que nem todas as pessoas estão preparadas ou têm condições de lidar com o choque de descobrir o que realmente é a Torre de Vigia. O custo para se reconstruir a vida pode ser muito alto.

É complicado, pois ao mesmo tempo também acredito que nunca se é tarde demais para conquistar a liberdade.

Tudo isso me lembra o caso de Percy Harding, fiel TJ desde a juventude, porém, que sofreu muito ao ser desassociado ao 91 anos de idade:
viewtopic.php?f=15&t=5894
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Re: Quando permanecer TJ se torna cômodo

Nova mensagempor Benji em 16 Set 2015 00:31

Estudante da Bíblia escreveu:Olá Benji!

Compreendo o que quer dizer por inclusive já ter tido o mesmo raciocínio quanto à minha própria mãe também. Não sei, mas as vezes penso que nem todas as pessoas estão preparadas ou têm condições de lidar com o choque de descobrir o que realmente é a Torre de Vigia. O custo para se reconstruir a vida pode ser muito alto.

É complicado, pois ao mesmo tempo também acredito que nunca se é tarde demais para conquistar a liberdade.

Tudo isso me lembra o caso de Percy Harding, fiel TJ desde a juventude, porém, que sofreu muito ao ser desassociado ao 91 anos de idade:
viewtopic.php?f=15&t=5894


Interessante esse relato, vou dar uma lida! Inclusive esqueci de acrescentar no primeiro post um dos fatos que mais me preocupa: o fato dela ser uma pessoa bem depressiva, imagino que ser uma pessoa que não consegue ser tão fervorosa quanto as outras TJs contribui ainda mais pra isso, as cobranças pra sair no campo, cobranças pra fazer estudos, cobranças pra atingir metas, e ela praticamente nunca conseguiu isso... sei que não é o único motivo de sua depressão, mas acredito que também contribua bastante. Daí ao mesmo tempo vejo sua depressão como algo que a deixa ainda com menos condições de lidar com o choque que seria descobrir que tudo que ela segue há décadas não é a verdade, que todas as esperanças de paraíso, ressurreição, cura das doenças etc não passam mais de ilusões.
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Re: Quando permanecer TJ se torna cômodo

Nova mensagempor Soares em 16 Set 2015 08:15

Bom dia Benji e a todos.

Não poderia deixar de passar aqui pois o meu caso é parecido.
Minha mãe sobreviveu a duas doenças devastadoras e outras menores, tbém tem bem mais de 60 anos, somente não sofre de depressão pois isso é uma característica própria. Vou ser bem sincero, e até aceito críticas pois vou parecer contraditório: no caso específico dela, com as peculiaridades que não posso mencionar aqui, inclusive já discuti com ela sobre esse assunto um dia, quando ela me acusou de tentar tira-la da religião, eu disse: "para vc mãe, é melhor que fique mesmo nessa agremiação, pois a lavagem que vc recebeu não lhe permitiria recomeçar em lugar nenhum uma vida normal"...Ficou puta da vida e magoada é claro. Como no salão que ela frequenta há pessoas que gostam dela devido a ser uma mulher excelente e agradabilíssima, eu mesmo acho que ela ficando lá será um mal menor do que morrer de solidão e vergonha.

Hoje cedo mesmo eu mostrei para ela o blog neutro que o Mentalista fez e aleguei que era "apenas para ela saber" o que acontecia no mundo, pois ela nunca saberia pois só lê a revista A Sentinela. Ela ficou nervosa, pois identificou que era sério, e deve temer pelos netos ainda pequenos e a repercussão do rótulo "pedófilo" pelas congregações.

Infelizmente, se eu sentisse que ela tivesse coragem, força e saúde, eu teria outra opinião. Conforme disse, a saúde dela é por um fio, e eu temo que ela não resista sair, a própria luta para se tentar isso poderia fazer ela infartar. Posso estar errado. Mas isso é um motivo a mais que me faz ser anti-torre: opção do cárcere para alguns casos. Por isso que sempre associo essa atividade sectária, ao nazismo, pois chega a um ponto que as pessoas se entregam ou preferem a morte.

Boa sorte com a sua mãezinha e lembre-se, pois eu me lembro todo dia: nós só temos uma. E olha que ela é minha mãe adotiva, desde os 15 anos mais ou menos, mas não há diferença entre a minha mãe biológica e a adotiva. Ambas me amam ou amaram profundamente.

Benji, parabéns por sempre ajudar as pessoas aqui com temas da vida real, compartilhando as suas angústias com todos. Pela sua forma de escrever percebo que és uma pessoa extremamente consciente e ponderada, de maneira que gosto muito do que sempre posta.

Um grande abraço e boas decisões.

Abçs amigo.
MAIS UM TIJOLO NO MURO. "[...]eu não entendi como a solidão de quem tem alguém, pode ser maior a de quem não tem ninguém[...]"
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Re: Quando permanecer TJ se torna cômodo

Nova mensagempor Mentalista em 16 Set 2015 09:00

Acho que foi o Jerry que criou um tópico do tipo "Eu não quero tirar você da Torre". Não temos que arrancar ninguém de lá; as pessoas têm que pensar por si mesmas.

Informação, por outro lado, desde que seja aceita, é útil para a evolução da sociedade. Imagina se ninguém compartilhasse nada? Com certeza não teríamos muitos dos avanços que vemos atualmente. Pode ser encarada também como uma questão moral. Com certeza a maioria gostaria de saber se está sendo enganado.

Então, na minha opinião, não temos que pressionar ninguém a sair de lá. O que podemos fazer, ou não, é lhes passar informações; eles é que vão decidir o que fazer com elas.

Nunca é tarde para recomeçar, principalmente quando há apoio incondicional.
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Re: Quando permanecer TJ se torna cômodo

Nova mensagempor Benji em 16 Set 2015 12:00

Soares escreveu:Bom dia Benji e a todos.

Não poderia deixar de passar aqui pois o meu caso é parecido.
Minha mãe sobreviveu a duas doenças devastadoras e outras menores, tbém tem bem mais de 60 anos, somente não sofre de depressão pois isso é uma característica própria. Vou ser bem sincero, e até aceito críticas pois vou parecer contraditório: no caso específico dela, com as peculiaridades que não posso mencionar aqui, inclusive já discuti com ela sobre esse assunto um dia, quando ela me acusou de tentar tira-la da religião, eu disse: "para vc mãe, é melhor que fique mesmo nessa agremiação, pois a lavagem que vc recebeu não lhe permitiria recomeçar em lugar nenhum uma vida normal"...Ficou puta da vida e magoada é claro. Como no salão que ela frequenta há pessoas que gostam dela devido a ser uma mulher excelente e agradabilíssima, eu mesmo acho que ela ficando lá será um mal menor do que morrer de solidão e vergonha.

Hoje cedo mesmo eu mostrei para ela o blog neutro que o Mentalista fez e aleguei que era "apenas para ela saber" o que acontecia no mundo, pois ela nunca saberia pois só lê a revista A Sentinela. Ela ficou nervosa, pois identificou que era sério, e deve temer pelos netos ainda pequenos e a repercussão do rótulo "pedófilo" pelas congregações.

Infelizmente, se eu sentisse que ela tivesse coragem, força e saúde, eu teria outra opinião. Conforme disse, a saúde dela é por um fio, e eu temo que ela não resista sair, a própria luta para se tentar isso poderia fazer ela infartar. Posso estar errado. Mas isso é um motivo a mais que me faz ser anti-torre: opção do cárcere para alguns casos. Por isso que sempre associo essa atividade sectária, ao nazismo, pois chega a um ponto que as pessoas se entregam ou preferem a morte.

Boa sorte com a sua mãezinha e lembre-se, pois eu me lembro todo dia: nós só temos uma. E olha que ela é minha mãe adotiva, desde os 15 anos mais ou menos, mas não há diferença entre a minha mãe biológica e a adotiva. Ambas me amam ou amaram profundamente.

Benji, parabéns por sempre ajudar as pessoas aqui com temas da vida real, compartilhando as suas angústias com todos. Pela sua forma de escrever percebo que és uma pessoa extremamente consciente e ponderada, de maneira que gosto muito do que sempre posta.

Um grande abraço e boas decisões.

Abçs amigo.


É bem isso que você falou, Soares. É como se permanecer lá dentro fosse um mal menor do que ter que sair e enfrentar a solidão que a mesma já sente pela morte do meu pai e por morar longe dos filhos. Pra mim ela é e sempre será um exemplo de mulher de muita força e garra que criou os filhos sem ajuda de ninguém e conseguiu de certa forma ser bem sucedida mesmo com a ausência de um ''homem da casa'' quando todos diziam que ela não conseguiria, até mesmo muitos irmãozinhos machistas se sentem intimidados pelo espírito de mulher independente que ela adquiriu, porém ela já está em um momento da vida em que fica notável que já está cansada de lutar, é sempre um problema após o outro nesse mundo, então temo que descobrir a verdade e ter que recomeçar a vida possa ser exigir demais da saúde mental e emocional dela. E como você falou se as circunstâncias fossem outras e eu sentisse mais confiança de que ela ficaria bem e que teria alguém além de mim para apoiá-la ao sair, eu também teria uma opinião diferente.

No mais, obrigado pelo comentário e o elogio. Um grande abraço também!
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Re: Quando permanecer TJ se torna cômodo

Nova mensagempor Mind Games em 16 Set 2015 12:06

Benji escreveu:Bem, de certo que 99% dos participantes desse fórum de alguma forma não acreditam mais em tudo que a Torre de Vigia ensina e boa parte se desligou ou pretende se desligar da religião, o que acarretou ou acarretará uma mudança drástica em suas vidas, mas trago hoje uma situação de reflexão a respeito da minha própria família...

Venho de uma família pequena, mãe viúva onde só eu e ela ainda estamos dentro da Torre, minha irmã mora do outro lado do país com sua vida própria, nunca chegou a se batizar e abandonou a organização logo adolescente. Minha mãe nunca foi das TJs mais fervorosas, posso até afirmar que ela se batizou mais por o impulso e grande influência das amizades que havia desenvolvido com as TJ após a morte do meu pai, mas nunca teve aquele ápice fervoroso da maioria dos novatos que se empenham o máximo que podem pra ~agradar a Jeová~ com todo o gás do recém batismo, porém ela permanece batizada já por décadas, mas se saiu de pioneira umas 2 vezes foi muito e vejo que isso ainda a deixa com sentimentos de culpa, mesmo assim ela sempre manteve a "mente aberta" e nunca foi na onda dos TJs bitolados e de consciência super sensíveis, apesar de conviver com muitos deles. Houve um período de fortes problemas na nossa família que por pouco ela não se tornou inativa, mas eu e minha irmã (ainda na época no salão) a arrastávamos pras reuniões, inclusive ela diz que se não fosse pelos filhos não estaria mais na organização.

Hoje, eu que tbm já tenho uns anos de batismo pretendo dar uma mudança 360º na minha vida em breve me desgarrando dos laços da torre, mas tenho apenas 20 anos e sei que ainda tenho toda uma vida pela frente para construir como na maioria dos relatos daqui do fórum dos que se desligaram e conseguiram reerguer sua vida e dar um rumo a ela construindo para si um novo caminho, com novos objetivos, novas amizades etc. Porém paro para analisar o lado da minha mãe, imagino que quando eu deixar de fato de ser uma Testemunha de Jeová isso será um baque enorme pra ela, mas ao mesmo tempo acredito que se torne alguém fácil para se abrir os olhos para as inúmeras falhas dos ensinos da Torre que seguimos por anos, só que vem a grande questão: ela já é uma mulher quase na casa dos 60 anos de idade que há mais de 20 anos cortou laços com qualquer amizade que não seja do meio TJ, nem mesmo família perto possuímos, me pergunto que vida restaria pra ela caso saísse da Torre logo depois de mim, uma vez que tudo e todos que fazem parte do dia-a-dia dela a excluiriam e a tratariam como bem sabemos que são tratados os desassociados... Será que realmente valeria a pena ''abrir os olhos'' dela e a arrancar de lá de dentro? Me pegunto se não há um certo momento da vida em que acaba se tornando cômodo se manter nesse círculo social das TJ... mesmo sob tantas regras ela ainda vive uma vida tranquila em uma cidade pequena onde tem boas amizades dentro do salão do reino que bem ou mal estiveram do lado dela quando ela precisou e ainda são presentes no seu dia-a-dia, sendo praticamente os únicos... Sei que no fórum existem pessoas de mais idade... quem saiu da Torre depois de uma certa idade ou passou por alguma situação parecida poderia dar seu depoimento/conselho de como lidou com a situação?


voce tocou na ferida, comodismo, eu fui parar na sala b acusada de estar acomodada com minha inatividade, estou cansada de ser tj mas não quero sair ( ainda )
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Re: Quando permanecer TJ se torna cômodo

Nova mensagempor croger em 16 Set 2015 13:11

As vezes o melhor que podemos fazer é não tocar mais na ferida.
Cada caso é um caso. Suas abordagens são muito parecidas com as minhas.
Is fuck.
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Re: Quando permanecer TJ se torna cômodo

Nova mensagempor Debora em 16 Set 2015 20:24

Benji,

Deixei a torre faz 32 anos. Na época minha mãe tinha 66 anos. Como eu disse na apresentação do Marcelo Navarro, PERDI TUDO, inclusive a companhia da minha mãe que morava comigo e simplesmente arrumou as coisas e foi embora. Bom, foram muitas idas e vindas dela para a minha casa. Ora eu era a filha maravilhosa, provedora, ora a dissociada. E foi assim durante anos com toda a família. Na necessidade eu era ótima, na calmaria, uma mundana.
Durante quase trinta anos, não bati de frente. Me fiz de morta. Dava aquele sorriso sem graça quando dizem que eu tinha qualidades superiores a de muitas testemunhas de jeová.
Atualmente minha mãe está com 98 anos e apesar eu ser a filha preferida e minha casa ser o lugar onde ela mais gosta de ficar, ela agora está morando com uma filha que é pioneira regular a mais de 40 anos. As recentes recomendações contra os apóstatas a tiraram de vez de mim. Faz 15 meses que ela foi embora da minha casa e não a vi mais e pelo menos 11 meses que sequer me deixam falar com ela. SOFRI E CHOREI tudo o que eu tinha direito. Hoje, tenho consciência que fiz o meu melhor e é isto que me conforta e me acalma.
Minha mãe Benji, sempre teve o coração muito duro, sempre pareceu ser insensível a dor. Então nos aspecto emocional não houve danos. E, de verdade, para minha mãe eu jamais recomendaria deixar de ser testemunha de jeová porque acaba sendo um conforto...sabemos que é enganoso...mas faz bem para a cabeça dela.
Quanto a sua mãe, recomendo-lhe que já que existe o fator depressivo, leve-a a um profissional o quanto antes. Não deixe que o quadro se agrave.
Com relação a você, creio que não precisa necessariamente ficar na seita para poupa-la. Quando ela estiver estabilizada diga-lhe que dará um tempo mas de-lhe apoio para que ela prossiga lá dentro. Estude, planeje como fará isto. Mas lembre-se: acima de tudo, de-lhe muito amor e atenção.

É isto. Estamos à disposição.

Abraço

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Re: Quando permanecer TJ se torna cômodo

Nova mensagempor Mind Games em 16 Set 2015 20:30

croger escreveu:As vezes o melhor que podemos fazer é não tocar mais na ferida.
Cada caso é um caso. Suas abordagens são muito parecidas com as minhas.

Essas feridas não fecham por completo,são causadas pela mesma arma
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Re: Quando permanecer TJ se torna cômodo

Nova mensagempor SraCORLEONE em 17 Set 2015 15:34

Debora escreveu:Benji,

Deixei a torre faz 32 anos. Na época minha mãe tinha 66 anos. Como eu disse na apresentação do Marcelo Navarro, PERDI TUDO, inclusive a companhia da minha mãe que morava comigo e simplesmente arrumou as coisas e foi embora. Bom, foram muitas idas e vindas dela para a minha casa. Ora eu era a filha maravilhosa, provedora, ora a dissociada. E foi assim durante anos com toda a família. Na necessidade eu era ótima, na calmaria, uma mundana.
Durante quase trinta anos, não bati de frente. Me fiz de morta. Dava aquele sorriso sem graça quando dizem que eu tinha qualidades superiores a de muitas testemunhas de jeová.
Atualmente minha mãe está com 98 anos e apesar eu ser a filha preferida e minha casa ser o lugar onde ela mais gosta de ficar, ela agora está morando com uma filha que é pioneira regular a mais de 40 anos. As recentes recomendações contra os apóstatas a tiraram de vez de mim. Faz 15 meses que ela foi embora da minha casa e não a vi mais e pelo menos 11 meses que sequer me deixam falar com ela. SOFRI E CHOREI tudo o que eu tinha direito. Hoje, tenho consciência que fiz o meu melhor e é isto que me conforta e me acalma.
Minha mãe Benji, sempre teve o coração muito duro, sempre pareceu ser insensível a dor. Então nos aspecto emocional não houve danos. E, de verdade, para minha mãe eu jamais recomendaria deixar de ser testemunha de jeová porque acaba sendo um conforto...sabemos que é enganoso...mas faz bem para a cabeça dela.
Quanto a sua mãe, recomendo-lhe que já que existe o fator depressivo, leve-a a um profissional o quanto antes. Não deixe que o quadro se agrave.
Com relação a você, creio que não precisa necessariamente ficar na seita para poupa-la. Quando ela estiver estabilizada diga-lhe que dará um tempo mas de-lhe apoio para que ela prossiga lá dentro. Estude, planeje como fará isto. Mas lembre-se: acima de tudo, de-lhe muito amor e atenção.

É isto. Estamos à disposição.

Abraço



Que triste Débora! Ninguém da minha família virou TJ (graças a Deus), mas, essa situação é mesmo muito triste :| meu marido se afastou de vez da organização quando o pai faleceu. Antes, ele tinha medo do pai entrar em depressão profunda e morrer mais cedo, pois, ele era o único filho que ainda permanecia na organização que ele acreditava que era a única verdadeira. A única coisa difícil de ver foi que prestes a morrer, ele se recusou de falar com os dois outros filhos (que são desassociados). Espero de coração que vc consiga falar e ver a tua mãe antes que seja tarde demais. Odeio essa política discriminatória da Torre.
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Re: Quando permanecer TJ se torna cômodo

Nova mensagempor M.Gandhi em 17 Set 2015 17:30

Minha mãe também tentou me levar ao salão, mas diferente da maioria desde pequeno eu já dizia que não gostava, não queria. Fui umas poucas vezes quando era obrigado e em uma ou duas assembleias (ficavam doidos quando eu dizia que a melhor parte de ir lá era hora do lanche, mas falava na inocência, era pequeno). Nunca tive muita ligação com a torre, mas por ser filho de tj algumas regras chegaram me afetar, como falta de apoio quando quis ir pra faculdade e ainda ouço que nunca vou ser nada por não seguir uma religião.
Depois de um tempo só engolindo sapos eu resolvi entender mais a fundo o que era a torre e fui procurar livros, sites, vídeos. Sempre tive a opinião de que para ser contra alguma coisa tenho que no mínimo conhecer aquilo antes, para não fazer um pré-julgamento equivocado. Foi ai que conheci o fórum, índice tj, livro do Franz e muitos depoimentos de pessoas que, assim como eu, tiveram alguma experiência ruim. Também vi o site oficial e publicações deles para ser imparcial.
Nesse momento ainda não tinha dito nada, mas outra vez começaram a pegar no pé por eu ter feito faculdade e questões de fé. Foi ai que decidi questionar diretamente, comecei a falar tudo. Para minha surpresa a maior parte das respostas foram "nunca ouvi falar disso", "nunca vi falar disso na despertai / sentinela" ou "vou perguntar para alguém de lá sobre isso". Geralmente tenho bastante autocontrole, sou bem calmo, mas na hora falei "ah claro, deixa eu perguntar pro papa se o catolicismo é religião certa, se alguém de dentro da própria igreja falar que é o certo todos tem que aceitar e ponto". Ai me trouxeram uma publicação que no fim tinha uma extensa bibliografia, que mostrava que era uma pesquisa séria. Eu comecei procurar um por um, autores, referências, baixei epub (livro digital) dos livros citados, comecei a rir na hora, tinham dois livros de Ufologia, usaram uma frase totalmente aleatória do livro, um site de artigos científicos onde não constava os artigos citados, um site americano ao estilo da página Fatos Desconhecidos do Facebook. Ai ficou meio sem reação "hã, mas... olhou certo mesmo? hã..." (vou ver se consigo encontrar isso em casa para postar aqui). Foi primeira vez que vi uma esperança de admitirem um erro. Depois aos poucos no decorrer dos dias comecei mostrar outras coisas, processos judiciais, os scans que vocês trouxeram dos guias de regras, documentos postados aqui de reformas milionárias nos EUA, proibição de vacinas e transplante. Ai reação foi "ah, mas tem que ver se é verdade mesmo" ou "pode ser alguém de fora querendo manchar a reputação deles". Até que achei um balanço divulgado no diário oficial da união que mostrava investimento em ações de um grande banco e de uma construtora. Foi só ai que ouvi "AHH, mas se for procurar todas tem erro, só que não se ouve falar tanta coisa de lá", falei que bastante coisa tem, mas não podem pesquisar em sites de fora, é igual se isolar do mundo em uma montanha e falar que não existe guerra na Síria. Ai que ouvi "EU TO A QUASE 50 ANOS LÁ, SE SAIR VOU FAZER O QUE... DEIXA COMO TÁ MESMO". Foi ai que percebi o que Benji falou, muitos já sabem dos problemas, com a facilidade da internet a informação corre rápido, mas imagina só admitir que jogou fora 50 anos da sua vida. Imagina o impacto de começar a pensar em tudo que podia ter feito, oportunidades perdidas. Eu já fico injuriado por ter feito um curso de 4 anos que não era minha primeira opção, quero fazer outro agora, ai começo pensar que lá se vão mais alguns anos até se formar, e 4 anos passa rapidinho.
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Re: Quando permanecer TJ se torna cômodo

Nova mensagempor Debora em 17 Set 2015 20:19

SraCORLEONE escreveu:Que triste Débora! Ninguém da minha família virou TJ (graças a Deus), mas, essa situação é mesmo muito triste :| meu marido se afastou de vez da organização quando o pai faleceu. Antes, ele tinha medo do pai entrar em depressão profunda e morrer mais cedo, pois, ele era o único filho que ainda permanecia na organização que ele acreditava que era a única verdadeira. A única coisa difícil de ver foi que prestes a morrer, ele se recusou de falar com os dois outros filhos (que são desassociados). Espero de coração que vc consiga falar e ver a tua mãe antes que seja tarde demais. Odeio essa política discriminatória da Torre.


Tenho certeza de que seu marido é bem mais feliz longe do que ele cumpria por obrigação. Já os seus cunhados, sentiram na pele, o imenso amor que o povo de jeová cultiva.
Quanto a mim e minha mãe, indiretamente ainda cuido dela e de verdade, quero estar ao lado dela em seus últimos momentos.
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Re: Quando permanecer TJ se torna cômodo

Nova mensagempor Soares em 18 Set 2015 00:05

Sra Corleone escreveu
Que triste Débora! Ninguém da minha família virou TJ (graças a Deus), mas, essa situação é mesmo muito triste :| meu marido se afastou de vez da organização quando o pai faleceu. Antes, ele tinha medo do pai entrar em depressão profunda e morrer mais cedo, pois, ele era o único filho que ainda permanecia na organização que ele acreditava que era a única verdadeira. A única coisa difícil de ver foi que prestes a morrer, ele se recusou de falar com os dois outros filhos (que são desassociados). Espero de coração que vc consiga falar e ver a tua mãe antes que seja tarde demais. Odeio essa política discriminatória da Torre.


Ola Sra Corleone.
esta sumida...uma grande abraco.

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Re: Quando permanecer TJ se torna cômodo

Nova mensagempor Mentalista em 19 Set 2015 23:12

Essa dúvida, curiosamente, acabou se aplicando a mim. Vou contar o contexto...

Eu estou cada vez mais distante daquele universo. Na verdade, embora eu esteja indo às reuniões, não tenho mais contato com ninguém. Até os "privilégios" básicos de um publicador já abandonei. Só que houve uma mudança de situação com um dos meus irmãos. O instrutor dele começou a "relaxar" com o estudo e minha mãe gostaria que eu desse o estudo para ele a partir de então, que não é batizado e tampouco bitolado. Esse tópico me veio logo à mente: "Quando permanecer TJ se torna cômodo". Ou seja, se eu aceitar fazer o estudo, poderei ir mostrando-lhe as contradições da "Organização de Jeová" e evitarei que uma TJ bitolada lhe dê estudo. Por outro lado, pode ser que não dê em nada e eu só perca tempo. Foi por isso que lembrei desse tópico.
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