Sou Jorge Paulino (de Moçambique, talvez o 1o Moçambicano a se juntar ao Fórum). Sou buscador da verdade e me parece que eu e vocês temos coisas em comum: “Vontade de libertar as pessoas da escravidão da cegueira mental criada pela STV.” Felizmente, graças a pessoas como vocês (que partilham a informação com quem quer que a desejar), consegui me libertar da cegueira que me apoquentava há anos. Sem essas pessoas, não sei que rumo minha vida teria.
Minha história como TJ (Resumo)
Quando eu ainda era bem novo (talvez aos 9 anitos), minha mãe converteu-se a TJ. E como era de se esperar eu também tinha de seguir o mesmo rumo. Aos 14 ou 15 anos me tornei “publicador não baptizado”, aos 16 me baptizei. Aos 26 me tornei Servo Ministerial. Mas uma coisa confesso: nunca gostei de ser TJ. Sempre tive minhas dúvidas e questões que me levavam a crer que aquela religião não tinha bases para se auto intitular de verdadeira, o pior, a única verdadeira. Minha vida sempre foi uma batalha nos murros da organização. Eu quase funcionava como um robô comandado pelos meus pais: me tornei publicador, porque eles queriam; me baptizei, porque eles queriam; tentava ser zeloso, porque eles queriam. Em fim, tudo (ou boa parte do que fazia) era para agradar a eles. Quando cresci, cresceu também o número de pessoas a quem tinha de agradar: os meus amigos TJs, os “irmãos” que tanto me admiravam. Chegou uma altura que eu sentia que estava a suportar a alegria de muitos.
A desilusão
Nos finais de 2007 comecei a pesquisar sobre as Testemunhas de Jeová (na net, claro) e não demorou para as minhas dúvidas ficarem esclarecidas: Afinal de facto estava a ser enganado! Li o “Crise” e no final a desilusão se apoderou de mim. O que teria de fazer então? Abandonar tudo? Acho que não! Que impactos teria em mim essa mudança brusca? Não! Não devia abandonar, afinal ainda não me identificava com a nova realidade. As bases para refutar tudo o que aprendi durante mais de 15 anos ainda não as possuía. Mas será que o que acabava de descobrir era verdade? Bom, eu me dei tempo de fazer uma análise independente. Comecei por ler a bíblia da ponta-para-ponta, duas vezes em menos de 9 meses. O objectivo era encontrar algo que provasse que de facto fui iludido. Da minha leitura da bíblia + aquilo que eu lia em blogues de pessoas comprometidas com a verdade, formei as minhas próprias bases para me virar contra a organização, alias, para me livrar dela.
Nos princípios de 2008 eu já estava +/- claro e estava a estudar a melhor maneira de eu largar tudo. Mas eu não podia simplesmente abandonar, senão seria confundido com tantos outros que abandonam a organização por “motivos fúteis”. Eu queria deixar muita curiosidade (nos irmãos) com a minha saída. Felizmente nesse período fui nomeado como “Servo ministerial” e estava nas minhas mãos todo o material para impressionar as pessoas para depois dar o “golpe”. Dito e feito. Aproveitei-me do meu novo cargo para impressionar todo o mundo: com os discursos (que na maioria das vezes se confundiam com discursos de superintendentes viajantes), comentários muito construtivos (mesmo sabendo que a maioria do que eu comentava era mentira), zelo no campo, sorrisos aqui e sorrisos ali. Ao fim de um ano eu já era considerado o pilar da congregação. E a admiração que as pessoas tinham por mim era notável. Prontos, o solo já estava fértil. Mas e depois? Bom, depois tinha de abandonar tudo! Sim, mas e depois? Depois muitos iriam questionar os “porquês” de eu ter abandonado a organização. Afinal eu era muito zeloso e não tinha “mancha do mundo”. Sim, mas, e depois? Afinal depois de abandonar ninguém mais iria querer saber de mim. Logo, não teria como fazer entender a multidão dos meus amigos os motivos que fizeram com que eu me afastasse do “caminho da vida”. É verdade! Mas, e se eu fizesse um livro?! Talvez ele poderia falar por mim mesmo depois de eu ter abandonado. Isso fazia sentido! Então me dei tempo de documentar os motivos do meu afastamento. Nos princípios deste ano (2009) me empenhei em fazer esse documento o qual decidi intitular: “Por que deixei de ser membro da ‘única’ religião ‘verdadeira’”. Em Agosto a obra já estava pronta e eu já tinha o passaporte para me livrar da STV. No dia 2 de Setembro enviei uma carta ao superintendente presidente pedindo uma reunião com todos os ancião. No dia 6 de Setembro houve a tal reunião e eu me despedi deles. E lhes informei que os motivos da minha dissidência estavam documentados no livro que com eles deixei. E prontos! Foi bastante chocante para eles. E no dia 11 de Setembro viria a ser triste para toda a congregação pois foi nesta data que a minha dissociação (a primeira na minha congregação) foi anunciada. No final da reunião foram seleccionados alguns irmãos e foram severamente instruídos a não ler o meu livro, e para os que já o possuiam, o conselho foi de eles queimá-lo. Já havia entregado o livro a alguns amigos meus e ninguém se interessou em queimá-lo e acredito que pessoas inteligentes ficarão mais curiosas e procurarão o livro. No dia seguinte mandei uma mensagem (aos anciãos)com este texto: “Por favor não queimem o meu livro. Lembrem-se de que a verdade não teme a mentira”. E de certeza eles ficaram “sem boca”; nem me responderam. Tenho esperança de que o livro vai livrar muitos dos grilhões da STV. Os que já folhearam o livro disseram-me o conteúdo faz muito sentido.
Leonardo Martins é Ex Testemunha de Jeová do RJ e desabafa no video. A mãe dele morreu na seita e os familiares não falam mais com ele depois que ele saiu e virou cristão. Ele diz que tentou suicídio várias vezes e o avô dele chegou a pedir permissão aos anciões para poder vê-lo.
As Testemunhas de Jeová e a sua organização publicadora Torre de Vigia costumam falar muito em tolerância e em amor ao próximo. Mais será que eles próprios são tolerantes com aqueles que questionam as suas crenças? Será que são tolerantes com os seus ex -membros ou são ensinados a nos discriminar? Que espécie de amor passam a demonstrar caso alguém saia da religião deles? Assista esse video e veja como eles são instruídos a tratar desde parentes até a própria mãe.
Nasci em um casebre no interior do Paraná, cidade onde fazia muito frio. Fui a segunda de sete filhos, três mulheres e quatro homens. Aos nove anos fui para São Paulo trabalhar como faxineira onde dormia no emprego e não tinha direito nenhum, a não ser o de trabalhar a qualquer hora do dia ou da noite.
Fui crescendo nesse ritmo, e com isso sempre fui muito trabalhadora, mesmo não tendo concluído os estudos, pois fiz até o 4º ano primário.
Aos 24 anos me casei com um homem sério (J.B.O.) e que tinha os mesmos desejos de vida que eu, ou seja, termos uma família. Em 1977 conheci uma vizinha que era Testemunha de Jeová, e sendo ela muito simpática, comecei a estudar a bíblia com ela. Fiquei realmente muito surpresa com o que eu aprendia, visto que eu era muito sozinha, pois meu marido gostava muito de jogar bola e me deixava nos finais de semana com nossa única filha, ainda bebê. E essa senhora foi me fazendo companhia. Até que em 1980, eu com minha segunda filha já com dois meses, resolvi me batizar.
Meu marido foi contra, pois eu tinha parado de fumar por causa dos estudos bíblicos, apesar de ele ter me pedido tanto para fazer isso. E ainda mais pelo fato de eu agora sair regularmente de casa para fazer o serviço de pregação. Mas os maridos das irmãs sempre iam à minha casa para fazer amizade com ele e trazê-lo à verdade.
E conseguiram, pois cerca de três ou quatro anos depois ele veio a se batizar. E se tornou um dos membros mais fervorosos e ativos na congregação, sendo designado ancião com três anos de batismo. Éramos uma família feliz. Eu me tornei pioneira de tempo integral, e ele, ancião presidente da congregação.
Com isso nossas filhas cresciam dentro da organização, e nós decidimos que elas deveriam ser batizadas logo, pois precisavam da proteção de Jeová para não ser envolvidas com os colegas de escolas. Não deixávamos elas irem a excursões de escolas, os trabalhos escolares sempre eram feitos em casa, com nossa ajuda.
Nossa filha mais velha se batizou aos 11 anos. Que alegria foi aquele dia! Porém, o que não imaginávamos era o quanto ela seria perseguida por ter tomado essa decisão. Ela era ridicularizada no salão, pois além de batizada ela era filha de ancião, e não podia fazer nada que “ofendesse” a consciência dos outros que já era apedrejada. E eu confiava em minha filha, e confiava na educação que eu tinha dado a ela. Ela era pra mim o meu orgulho! Sempre que podia saía de pioneira auxiliar, dava os melhores comentários, estudava a bíblia com a ajuda das publicações e era muito aplicada. Executava as partes que lhe eram designadas com zelo e carinho, e sempre era elogiada por todos. Mas, ela sempre fora autêntica, e isso incomodava. Minha outra filha mais nova, era muito meiga, sempre levava tudo com calma e nunca era vista com maus olhos. Batizou-se com 16 anos e levava uma vida sem muito destaque. Mas também me orgulhava dela, pois nunca manchou o nome de seu pai.
Certa vez, minha filha mais velha foi chamada ao salão para uma conversa com os anciãos, visto que ela estava envolvida sentimentalmente com um jovenzinho de nossa congregação. Mas, devido a pouca idade dela, não pensei que isso fosse algo realmente sério. E só percebi o quão sério tinha sido, quando ao chegar do salão, ela não quis conversar! Simplesmente se recolheu a seu quarto, se negando a pronunciar uma palavra. E eu do lado de fora só ouvia seus soluços. Quanto indaguei ao meu marido sobre o que poderia ter acontecido, ele só me respondeu que os anciãos tinham-na aconselhado e que ela deveria estar sentindo muito arrependida. Só soube do resultado dessa comissão cerca de um ano depois, quando ela resolveu me contar, pois eu era sua melhor amiga. E realmente fiquei chocada. Não podia acreditar que tinham feito isso com uma garotinha de idade escolar e principalmente com total anuência do pai!
Jamais o perdoaria por isso.
Depois desse ocorrido, ela nunca mais foi a mesma. Perdeu todo o entusiasmo, e começou a questionar coisas que nunca tinham passado pela minha cabeça. Mas eu como serva leal de Jeová, não poderia deixar isso me abalar. Tinha a obrigação de trazê-la de volta.
E o tempo foi passando, e eu me sentindo sempre relegada a segundo plano. Meu marido ao se tornar superintendente presidente da congregação, quase nunca estava presente na mesa conosco. Sempre em visita de pastoreio, sempre ajudando os membros da organização e nossa família sempre em segundo plano. Resolvi então tomar a dianteira do meu lar. Era enfim o que eu mais prezava na vida inteira! Minha família!
E continuei assim, ele sendo ancião e cuidando da congregação, e eu cuidando de minhas filhas e dele próprio. Não tinha mais tempo pra nós, sempre que sentávamos pra conversar ele tinha problemas congregacionais para conversar comigo, exceto os segredos dos anciãos. E isso foi nos distanciando, apesar de eu me negar a ver isso.
Até que um dia nossas filhas decidiram não mais freqüentar as reuniões, serviço de campo e todo o resto. Aquilo foi como um punhal no coração de meu marido, porém eu entendia perfeitamente o que estava acontecendo, e se eu pudesse, se não fosse a submissão ao meu marido e cabeça, eu teria ido junto com elas. Já não podia compactuar com algumas atitudes e crenças, e ter de pregar aquilo era pra mim um suplício. E eu resolvi fazer à minha maneira. Passei a ajudar as pessoas que precisavam de apoio. Comecei a me dedicar a isso, e assim encontrei uma razão para continuar dentro da organização.
Mas, no segundo semestre de 2006 eu adoeci gravemente. E por causa de algumas doutrinas das quais eu também não concordava, eu acabei ficando sem alguns tratamentos vitais para a minha sobrevivência, vindo a falecer no final deste mesmo ano.
Mas antes do último suspiro, eu disse às minhas filhas que elas tinham tudo o que era suficiente para sobreviverem sem mim, dentro delas. Tudo o que eu ensinei estava muito vivo em seus corações e que eu confiava que elas se sairiam muito bem. Disse também que não seria muito fácil, pois saberia que ficariam sozinhas e não teriam o apoio do pai.
Minha mensagem deixada para minhas filhas foi:
Formem suas famílias e que elas se tornem a razão da vida de vocês! Pois serão as únicas pessoas que estarão com vocês SEMPRE! Escolham maridos que olhem para a mesma direção que vocês! E assim, nunca ficarão sozinhas!
ps.: Realmente foi difícil ficar sem nossa mãe, e realmente ficamos sozinhas. Dissociamos-nos, fomos abandonadas por nosso pai, que não nos deu o menor apoio. Mas seguimos seu conselho, e a despeito de alguns erros, hoje somos felizes e com a estrutura que ela nos deu, formamos nossa família feliz!
Quando estamos em qualquer situação onde requer que façamos alguma escolha, somos impelidos à reflexão. Um novo emprego, ter um filho, mudar de apartamento, trocar o carro, fazer uma faculdade, casar… Tudo isso exige muitas horas de pensamento e questionamento para que cheguemos à alguma conclusão satisfatória.
E quando estamos num caminho em que achamos ser o correto, e de repente, tudo muda, mudam as cores, as perspectivas, mudam todos os questionamentos?! O que fazer? Pra onde ir? Por que este não seria o caminho correto? Qual seria o correto? E principalmente: Há um caminho correto?!
Questionamentos como esse nos deixam inquietos, impacientes, como se a vida nos cobrasse providências emergenciais. Não dormimos, não pensamos em outra coisa senão encontrar o “tal caminho”.
Mas a primeira coisa em que devemos nos ocupar é em nos certificar de que o caminho que estamos trilhando não está em conformidade com o que aprendemos durante uma vida inteira. Será que ele não viola nossos maiores valores morais? Será que TUDO o que achamos ser certo e importante nós conseguimos encontrar neste caminho? E como será o final dele?
Muitos dos que começam a questionar a “verdade” o fazem ainda dentro do Salão do Reino. Provavelmente no meio de um discurso, pode ser o público, ou um simples discurso de n.º 4. Mas acontece naquele instante! Algo dentro de nós dá um grito e diz: Pérai! Tem algo errado!
E aí, nesse exato momento começa-se a questionar. Começa a inquietação, e com ela a curiosidade em se provar que tudo está correto! Mas vem as surpresas e dentro das publicações encontramos coisas que não condizem com o que nosso raciocínio acaba de descobrir. E vem as dúvidas! E as negativas! Somos convencidos a pensar que nosso raciocínio é imperfeito, impuro, cheio de influências diabólicas que tenta nos tirar do caminho da verdade. Mesmo assim, continuamos a nos perguntar; queremos saber os “por quês”, os “senãos”…
Gostaria que todos que visitassem esse espaço estejam com suas mentes limpas, isentas de todo e qualquer preconceito e munidas apenas da lógica e do livre-pensar. Quero de verdade que independente do que creem, saiam daqui a cada dia enriquecidos, sabendo um pouco mais do que as experiências alheias nos podem trazer. Tenham em mente que o conhecimento sobre tudo está à disposição de todos os que querem aprender, sem pré-conceitos definidos. Leiam somente para conhecerem mais alguma coisa que ainda não sabem. Leiam por curiosidade. Leiam para ter o que conversar dentro do ônibus, do metrô, do táxi, ou mesmo na hora do jantar.
Enriqueçam-se! Só assim poderemos nos destacar dos demais que não tem interesse em aprender, seja lá o que for.
E termino com uma frase de uma flor:
“Eu tenho que suportar duas ou três larvas se eu quiser conhecer as borboletas!!!
Bem vindos à este espaço, que aos poucos irá crescer, junto com todos nós!